A ciência continua sem espaço de destaque na atual campanha eleitoral brasileira, segundo avaliação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Enquanto o cenário político e denúncias recentes monopolizam as atenções do país, os desafios estratégicos de curto prazo — como a transição energética e o envelhecimento populacional — permanecem ignorados pelos candidatos.

Francilene Garcia, presidenta da SBPC e pesquisadora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), aponta que o eleitorado e os políticos foram colocados em uma falsa dicotomia. Para a especialista, cria-se a ideia equivocada de que é preciso escolher entre fiscalizar as instituições ou planejar o desenvolvimento futuro da nação.

Brasília (DF), 06/07/2026 - A presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Francilene Garcia. Foto: SBPC/Divulgação - SBPC/Divulgação

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O impacto da crise nas propostas

Historicamente, a área científica sempre figurou à margem das discussões eleitorais no Brasil. No entanto, a situação atual agravou essa ausência. A SBPC lançou um observatório próprio para tentar inserir mais de cem propostas voltadas a políticas públicas essenciais no centro dos debates políticos atuais.

Entre os temas negligenciados estão as mudanças climáticas, a transformação digital e a prevenção contra novas crises sanitárias. A diretoria da instituição reforça que a falta de compromisso das candidaturas compromete diretamente o planejamento de um projeto sólido de soberania para os próximos anos.

Desafios futuros para o país

Além da falta de investimentos adequados na área, a comunidade científica demonstra forte preocupação com a falta de preparo do país frente ao rápido envelhecimento da população e aos impactos severos do novo regime climático na agroindústria e nos biomas brasileiros.

A entidade ressalta que o respeito aos ritos constitucionais e institucionais é inegociável, mas adverte que o monopólio de crises institucionais não pode servir como pretexto para omitir pautas vitais para o desenvolvimento de longo prazo do Brasil.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil