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A inclusão digital na era da inteligência artificial precisa vir acompanhada de um forte pensamento crítico, superando a simples entrega de ferramentas tecnológicas para professores e estudantes nas escolas.
O alerta foi feito nesta sexta-feira (14) pela educadora Daniela Costa, consultora da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para o Brasil.
Participando do 4º Encontro de Educadores do Século XXI, no Rio de Janeiro, a especialista destacou que a sociedade precisa discutir os objetivos, riscos e oportunidades do uso tecnológico.
Avanços e desafios globais
Durante o evento organizado pela Firjan, a representante da Unesco apresentou dados variados sobre a relação entre tecnologia e aprendizado.
Na China, por exemplo, videoaulas transmitidas para 100 milhões de alunos rurais elevaram o rendimento escolar em 32% e reduziram disparidades salariais.
Por outro lado, pesquisas em 14 países mostram que a mera presença de um smartphone já causa distração e prejudica o desempenho cognitivo.
O impacto dos celulares
Lembrando da Lei Federal 15.100, de janeiro de 2025, Daniela mencionou as restrições ao uso de celulares em salas de aula e intervalos.
No início de 2026, dados do Cetic.br indicavam que 51% das escolas de ensino básico vetavam a entrada dos aparelhos.
Contudo, a restrição perde força conforme avança o nível escolar, atingindo apenas 31% das instituições no ensino médio.
Pesquisas em vídeos e inteligência artificial
O levantamento revelou que 89% dos alunos do ensino médio recorrem a plataformas de vídeo, como YouTube e TikTok, para realizar pesquisas escolares.
Os tradicionais mecanismos de busca, como o Google, aparecem logo em seguida com 88%, seguidos por blogs, Wikipédia e ferramentas de IA.
Apesar disso, apenas um terço dos discentes relata ter recebido orientações sobre as falhas e limitações dos sistemas de inteligência artificial.
O papel dos docentes
Os professores continuam sendo os principais guias para o uso tecnológico, com o índice de alunos que buscam orientação subindo de 44% para 56% entre 2022 e 2024.
Contudo, a proporção de docentes com formação continuada na área caiu de 65% em 2021 para 54% em 2024.
Para a consultora, ignorar a capacitação dos educadores enfraquece o desenvolvimento integral dos estudantes.