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Uma pesquisa inédita sobre a saúde mental dos jornalistas revelou que mais de 50% desses profissionais no Brasil apresentam sintomas de depressão. O diagnóstico foi apresentado nesta segunda-feira (14) durante a reunião do Conselho de Comunicação Social (CCS) do Congresso Nacional, realizada no Senado Federal, com o objetivo de alertar sobre as precárias condições de trabalho na categoria.
O levantamento foi desenvolvido pela Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), órgão vinculado ao Ministério do Trabalho e Previdência, em cooperação com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). A pesquisa online contou com a participação de 257 profissionais de comunicação.
Além da depressão, o estudo mapeou outros distúrbios graves que comprometem a rotina laboral. Entre os entrevistados, 47,8% relataram sofrer de estresse crônico, enquanto 47,9% enfrentam problemas de insônia recorrente. O questionário também avaliou fatores como ansiedade, satisfação profissional e consumo de álcool.
Cultura de assédio e pressão digital
A pesquisa acendeu um alerta para a normalização do assédio moral nas redações. Segundo Cristiane Oliveira Reimberg, coordenadora de Comunicação da Fundacentro, 37% dos participantes relataram ter sofrido assédio pelo menos uma vez, e 26% afirmaram ter passado por isso duas ou mais vezes.
O secretário-adjunto de Saúde e Segurança da Fenaj, Norian Segatto, criticou o impacto das novas tecnologias. Ele destacou que a cobrança excessiva por engajamento e métricas digitais superou a preocupação com a qualidade da informação, gerando uma pressão psicológica insustentável sobre os repórteres.
Para Samira de Castro, presidente da Fenaj, o esgotamento não deve ser visto como uma fraqueza de caráter individual. Ela defende que o adoecimento mental é reflexo direto de jornadas exaustivas, cobrança desmedida por produtividade, falta de autonomia e violência no ambiente digital.
Ataques de gênero e discurso de ódio
A presidente do CCS, Patrícia Blanco, condenou veementemente as agressões direcionadas a jornalistas, especialmente mulheres. Blanco citou dados de monitoramento eleitoral que registraram mais de 2,6 mil ataques a profissionais em apenas duas semanas, sendo dois terços direcionados ao público feminino.
A conselheira enfatizou que insultos e intimidações sexuais configuram discurso de ódio. Segundo Blanco, essas práticas violam a dignidade humana e não são amparadas pela liberdade de expressão, conforme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e diretrizes da Organização das Nações Unidas (ONU).
Reconhecimento na área de tecnologia
Durante o encontro, o conselho aprovou uma moção de aplauso para Veronyka Gimenes, diretora da organização Código Não Binário. Ela foi listada pela revista Time como uma das mentes mais influentes em inteligência artificial do mundo devido à criação da TybyrIA, ferramenta que combate a LGBTfobia online.
Por fim, o CCS aprovou a realização de uma audiência pública sobre educação midiática para novembro. O próximo encontro oficial do órgão está agendado para o dia 5 de outubro, em Brasília.