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O Ministério da Educação (MEC) divulgou nesta quarta-feira (5), em Brasília, os dados do Saeb 2025, revelando que a educação básica brasileira recuperou os patamares pré-pandemia de covid-19. Embora os indicadores de proficiência em língua portuguesa e matemática tenham avançado em todas as etapas de ensino, a qualidade da aprendizagem permanece sendo o principal gargalo do país.
Nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano), a nota padronizada cresceu de 5,9 para 6,2 entre 2023 e 2025. Esse avanço representa o desempenho mais expressivo registrado entre as três fases avaliadas, superando os índices pré-pandêmicos nas escolas públicas e atingindo o nível adequado em português e matemática.
Por outro lado, o ritmo de evolução foi mais lento nas etapas subsequentes. Nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), a média oscilou de 5,1 para 5,2, mantendo os alunos no patamar básico. No ensino médio, a pontuação subiu 0,1 ponto, mas a proficiência em matemática ainda figura na categoria abaixo do básico.
A coordenadora de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, Natália Fregonesi, adverte que os estudantes chegam à etapa final do ensino básico acumulando lacunas antigas. Segundo a especialista, é indispensável priorizar a recomposição das aprendizagens desde o início da trajetória escolar.
Resultados detalhados por etapa de ensino
Na escala de 0 a 500 do Saeb, a nota do 5º ano em língua portuguesa passou de 207,6 em 2023 para 215,1 em 2025. Em matemática, a pontuação subiu de 218,3 para 227,4. Já no 9º ano, português alcançou 256,6 pontos e matemática chegou a 255,3.
No 3º ano do ensino médio, as médias alcançaram 272,3 em português e 268,0 em matemática. Considerando toda a rede estadual, que engloba o ensino tradicional e o técnico profissionalizante, o desempenho em português saltou de 271,7 para 275,8, enquanto matemática variou de 267,3 para 271,4.
O grande entrave identificado pelos educadores reside na matemática do ensino médio, que não conseguiu retomar os índices registrados antes da crise sanitária de 2020. A lentidão na recuperação dos anos finais e do ensino médio acendeu o alerta em especialistas do setor.
Para Natália Fregonesi, a reação observada é relevante, porém insuficiente para alterar estruturalmente o patamar de conhecimento dos estudantes. A especialista defende posicionar a aprendizagem como eixo central das políticas públicas para acelerar os ganhos pedagógicos.
Estratégias para superar o atraso em matemática
O vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, Felipe Proto, destaca que a superação desse cenário exige ações coordenadas e contínuas. Ele reforça a importância de priorizar a agenda educacional e executar com consistência programas como o Compromisso Nacional Toda Matemática, idealizado pelo MEC.
Entre as medidas urgentes, Fregonesi aponta o suporte contínuo aos docentes, o acompanhamento pedagógico nas unidades escolares e a aplicação de metodologias para resgatar os estudantes que estão abaixo do nível esperado para a sua idade escolar.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, argumentou que a queda em exatas é um fenômeno global. Ele ressaltou que, com a Prova Nacional Docente (PND) 2025, o Brasil constatou que possui professores proficientes em matemática suficientes para suprir as redes públicas de ensino.
Barchini defende que as redes locais absorvam esses profissionais bem avaliados e invistam em formação continuada. Contudo, Natália Fregonesi ressalta que contratar bons professores é apenas parte da solução, exigindo também liderança técnica, vontade política e investimentos contínuos.
Recuperação mais rápida que o projetado
Apesar dos desafios, o Brasil retomou os patamares de 2019 em quatro anos, superando previsões de órgãos internacionais que estimavam um prazo de 10 a 13 anos. No entanto, o Todos Pela Educação lembra que o ponto de partida em 2019 já era baixo, exigindo esforços redobrados para ir além.
Engajamento dos estudantes no ensino médio
Para tornar o ensino médio mais atraente, Fregonesi sugere aproximar a rotina escolar do cotidiano dos alunos. A falta de motivação decorre de defasagens acumuladas e do descompasso entre o currículo escolar e as reais expectativas de futuro dos jovens.
Como funciona o Saeb
Divulgados na página do Inep, os dados da edição de 2025 do Saeb abarcaram 5,9 milhões de estudantes, distribuídos em 73,7 mil escolas por todo o país. Realizado a cada dois anos desde 1990, o exame combina testes de desempenho a questionários contextuais.
Em conjunto com as taxas de fluxo escolar apuradas pelo Censo Escolar, as notas do Saeb integram o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), permitindo o monitoramento contínuo das redes de ensino do Brasil.