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Quarta-feira, 22 de Julho 2026
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Arrecadação federal atinge patamar inédito de R$ 2,89 trilhões em 2025

Dezembro de 2025 registra o melhor resultado histórico para o mês.

Arrecadação federal atinge patamar inédito de R$ 2,89 trilhões em 2025
© José Cruz/Agência Brasil
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A arrecadação de impostos e outras receitas federais alcançou um valor recorde em 2025, atingindo a marca de R$ 2,89 trilhões. Essa informação foi divulgada pela Receita Federal na quinta-feira (22), junto com os resultados referentes ao mês de dezembro.

Em relação ao ano anterior, 2024, o crescimento real da arrecadação foi de 3,75%, após o ajuste pela inflação medido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O mês de dezembro de 2025 também registrou o melhor desempenho arrecadatório da série histórica, com um total de R$ 292,72 bilhões. Esse montante representa um aumento real de 7,46%, já descontada a inflação pelo IPCA.

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Os detalhes completos sobre a arrecadação podem ser consultados no portal da Receita Federal.

A elevação da arrecadação é atribuída, principalmente, ao bom desempenho econômico e à implementação de novas tributações.

"Estes são números expressivos, um avanço significativo, especialmente se considerarmos o elevado patamar do ano anterior [2024]", afirmou Robinson Barreirinhas, secretário especial da Receita Federal, ao apresentar os resultados.

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Esses montantes englobam diversos tributos federais, incluindo o Imposto de Renda (IR) de pessoas físicas e jurídicas, a arrecadação previdenciária, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), e o PIS/Cofins (Programa de Integração Social/Contribuição para Financiamento da Seguridade Social), entre outros.

A soma total também considera receitas como royalties e depósitos judiciais, que, embora não sejam diretamente administradas pela Receita Federal, compõem o montante global.

Especificamente em relação às receitas sob a gestão direta da Receita Federal, o total arrecadado em 2025 foi de R$ 2,76 trilhões, um incremento real de 4,27%.

No último mês do ano, a arrecadação administrada pela Receita Federal atingiu R$ 285,21 bilhões, registrando uma alta real de 7,67%.

Contudo, a base comparativa foi impactada por fatores extraordinários e mudanças legislativas ocorridas em 2024, que não se repetiram em 2025.

Em 2024, por exemplo, houve um recolhimento adicional de R$ 13 bilhões do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre Rendimentos de Capital, decorrente da tributação de fundos exclusivos, evento que não se verificou em 2025.

A legislação que alterou a incidência do IR sobre fundos de investimentos fechados e sobre rendimentos de offshores no exterior foi aprovada em dezembro de 2023.

Além disso, registrou-se uma arrecadação singular de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), tributos incidentes sobre os lucros empresariais. Em 2024, o valor extra foi de R$ 4 bilhões, enquanto em 2025 totalizou R$ 3 bilhões.

"Excluindo-se os pagamentos não recorrentes, a arrecadação teria um crescimento real de 4,82% no período acumulado de janeiro a dezembro de 2025", esclareceu a Receita Federal.

Principais fatores do resultado anual

Os resultados positivos foram impulsionados, sobretudo, por variáveis macroeconômicas e pelo dinamismo da atividade produtiva, com destaque para o setor de serviços, que cresceu 2,72% entre dezembro de 2024 e novembro de 2025 (período que gerou a arrecadação anual).

A produção industrial, por sua vez, registrou um modesto aumento de 0,17% no mesmo período. As importações, medidas em dólar e relacionadas à performance industrial, apresentaram elevação de 2,11% entre dezembro de 2024 e novembro de 2025. Adicionalmente, a massa salarial expandiu-se em 10,9% no acumulado do ano.

Somente o segmento de venda de bens mostrou um ligeiro recuo de 0,16% no período analisado.

O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) foi um dos fatores que contribuíram para o desempenho da arrecadação, totalizando R$ 86,48 bilhões de janeiro a dezembro de 2025, um salto de 20,54% em relação ao acumulado de 2024.

"Esse incremento pode ser atribuído a operações de saída de moeda estrangeira, a créditos concedidos a pessoas jurídicas e a transações com títulos e valores mobiliários, especialmente devido a modificações legislativas", explicou a Receita.

Em junho de 2025, o governo federal havia elevado a cobrança em certas operações de crédito via Decreto 12.499/2025, medida que, entretanto, foi revogada posteriormente.

A receita previdenciária registrou um crescimento de 3,27%, alcançando R$ 737,57 bilhões, impulsionada principalmente pela expansão da massa salarial.

Outro ponto relevante destacado pela Receita foi o aumento da arrecadação do PIS/Cofins, que se beneficiou tanto do desempenho do setor financeiro quanto da tributação sobre os serviços de apostas online (bets) em 2025. Este tributo somou R$ 581,95 bilhões no ano passado, um acréscimo de 3,03% comparado a 2024.

Somente a receita proveniente das plataformas de apostas virtuais apresentou um crescimento impressionante, superior a 10.000%, saltando de R$ 91 milhões para quase R$ 10 bilhões no acumulado do ano.

Houve também uma elevação na arrecadação de tributos relacionados ao comércio exterior, reflexo da valorização das taxas de câmbio e do reajuste das alíquotas médias desses impostos.

Em 2025, a arrecadação desse segmento registrou um crescimento real de 9,49%, enquanto os rendimentos de residentes no exterior aumentaram 12,91%.

Essa categoria, conhecida por sua volatilidade, surpreendeu positivamente no ano, impulsionada por um crescimento sólido na arrecadação de royalties, rendimentos do trabalho e Juros sobre Capital Próprio (JCP), que representa a distribuição de parte do lucro das empresas aos seus acionistas.

Apesar do recorde anual, observa-se uma desaceleração que espelha, em particular, o desempenho do setor industrial e das vendas de bens. A arrecadação de IRPJ/CSLL, por exemplo, teve um aumento modesto de apenas 1,27%, o mesmo percentual de crescimento do IPI, em um cenário de atividade industrial quase estagnada.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil
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