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O Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026 aponta que o Brasil registrou progressos no último ano em 71% dos indicadores voltados ao enfrentamento da desigualdade social.
O levantamento analisou 48 pontos ao todo. As melhorias concentram-se na renda média e na queda da pobreza.
O estudo também indica avanços no mercado de trabalho. Houve maior segurança alimentar e melhor acesso a serviços básicos.
Índices de saúde pública mostraram evolução positiva. A desnutrição infantil e de idosos diminuiu consideravelmente.
Na educação, o país registrou queda nos índices de analfabetismo. A segurança pública também apresentou melhora.
Registrou-se uma redução na taxa de homicídios entre jovens de 15 a 29 anos. No entanto, nem todos os setores avançaram.
Do total avaliado, oito indicadores pioraram e seis permaneceram estáveis. Entre os pontos negativos está a disparidade salarial de gênero.
Houve ampliação do número de mulheres com remuneração inferior à dos homens. A concentração de renda também se agravou.
Outro problema apontado é a tributação regressiva. Quem ganha mais continua pagando proporcionalmente menos impostos.
A população negra continua enfrentando condições mais desfavoráveis. Os piores índices sociais se concentram no Norte e no Nordeste.
Para os responsáveis pelo estudo, os pontos de piora revelam que os mecanismos tradicionais de reprodução das disparidades continuam ativos.
“O crescimento econômico beneficiou diferentes grupos sociais, mas não foi suficiente para reduzir as disparidades históricas de renda, gênero, raça e território”, destaca o documento.
Esta é a quarta edição da publicação anual, iniciada em 2023. Os dados atuais trazem análises referentes ao ano de 2025.
Algumas bases de dados não são atualizadas anualmente. É o caso de pesquisas como a POF e o Inaf, divulgados em períodos alternados.
Segundo Adriana Marcolino, diretora técnica do Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, essa defasagem não compromete a análise.
“Nesses casos, a gente olha o dado em comparação com o mesmo dado do ano anterior, então isso não cria um viés de tempo”, pontua.
No prefácio, Betina Ferraz Barbosa, economista-chefe do Pnud Brasil, avalia que os números ajudam a aprofundar índices além do desenvolvimento humano clássico.
“Os números médios escondem uma realidade mais complexa: os avanços foram reais e, ao mesmo tempo, profundamente desiguais”, conclui.