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A professora Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, declarou nesta terça-feira (2) que suspeita ter sido dopada na data em que seu filho morreu, em março de 2021. Como ré no processo que julga o crime, ela apresentou seu depoimento no nono dia do júri, realizado no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ).
Monique e o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, são os acusados pela morte da criança. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) alega que Jairinho torturava o enteado, e que Monique teria sido omissa em proteger o filho.
Durante o depoimento, a ré afirmou que não imaginava que o padrasto de Henry seria capaz de cometer agressões contra o menino. Atualmente, ela acredita que existem elementos que apontam Jairinho como o responsável pela morte.
“Pode ser muita burrice, mas em nenhum momento pensei que ele pudesse fazer qualquer tipo de agressão ao meu filho”, disse Monique, em resposta a questionamentos da juíza Elizabeth Machado Louro, que presidiu a sessão no 2º Tribunal do Júri.
No início de sua fala, Monique descreveu a relação de Jairinho com ela e com Henry como boa. Contudo, ela admitiu que o então namorado demonstrava ciúmes e que, aproximadamente um mês após o início do relacionamento, sofreu uma tentativa de enforcamento por parte dele, em uma crise de ciúmes mais intensa.
O relacionamento começou em outubro, e em janeiro Monique passou a morar com Jairinho. Ela relatou que, no final daquele mês, Henry se queixou ao pai, Leniel Borel, de ter recebido um “abraço forte do tio”.
Este episódio levou Leniel a conversar com Jairinho, pedindo que ele não repetisse o gesto. Monique informou que, a pedido de Leniel, passou a evitar que Henry ficasse sozinho com Jairo.
Banda e moca
Monique Medeiros mencionou que, em uma ocasião, mesmo com ela presente em casa, Henry a procurou relatando que Jairinho lhe havia dado uma "banda" (rasteira) e uma "moca" (soco na cabeça).
Ao questionar Jairo sobre o ocorrido, ela disse que o então vereador negou, afirmando ser apenas uma brincadeira e segurando o menino para que ele não caísse. Segundo Monique, o padrasto também a acusou de mimar o filho e que ele "viraria veadinho".
Monique relatou que Jairinho prometeu que o comportamento não se repetiria. De acordo com a mãe, esse incidente marcou um distanciamento entre a criança e Jairo.
Em diversos momentos durante o depoimento, Monique chorou. Ela refutou a declaração da babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira, de que teria sido informada sobre uma agressão de Jairinho a Henry no dia 2 de fevereiro. A babá prestou depoimento no júri no último domingo (31).
“Ela falou que contou no mesmo dia, é mentira! Se tivesse contato, eu nunca deixaria os dois juntos", declarou no júri.
Conversa com babá
Monique apresentou sua versão sobre a troca de mensagens em 12 de fevereiro com a babá, referente à suspeita de novas agressões por parte de Jairinho. Ela relatou ter ficado surpresa ao saber que o namorado havia chegado em casa antes do previsto e afirmou ter agido para evitar que ele ficasse sozinho com Henry.
Ao receber mensagens da babá informando que o menino estava no quarto com Jairinho, ela disse ter ficado "apavorada", temendo que Jairinho pudesse ter agido de forma rígida com a criança.
“Em nenhum momento achei que meu filho tinha sido agredido. Não queria que ele se comunicasse da forma rígida que ele era”.
Durante uma troca de mensagens, ela insistiu para que a babá interrompesse a interação entre os dois e levasse Henry para a brinquedoteca ou para o shopping onde ela estava.
Em uma das mensagens, a babá informou que o garoto havia saído do quarto e "estava bem". Em mensagens subsequentes, recebeu a notícia de que o menino reclamava de dor no joelho e na cabeça. Monique chegou a receber um vídeo do menino, mas afirmou não ter percebido que ele mancava.
“Hoje acredito que houve, sim, alguma coisa com o meu filho dentro do quarto”.
Em outra mensagem, a babá relatou que o menino mencionou ter levado uma "banda" e um chute, e que foi advertido a não contar à mãe sob pena de Jairinho "ir pegá-lo".
Pouco tempo depois, o próprio menino participou de uma videochamada com a mãe, na qual relatou que "o tio tinha brigado com ele" e que ele atrapalhava o relacionamento do casal.
Monique relatou que, antes de sair do shopping, comprou câmeras de vigilância com a intenção de instalá-las no apartamento.
A professora acrescentou que, no dia seguinte, ela e Jairinho levaram o garoto a um hospital, onde um raio-x constatou que não havia lesão no joelho.
Apagamento de mensagens
Em outro momento do depoimento, Monique Medeiros garantiu que não instruiu a babá Thayná a apagar as mensagens trocadas entre elas.
“Eu tenho prova de que não mandei ela apagar as mensagens. Por que eu mandaria apagar, se eu tinha os prints no meu telefone?”, declarou no júri.
Segundo Monique, a ordem partiu da família de Jairinho. Ela contextualizou que vários membros da família da babá eram empregados da família de Jairinho, citando como exemplo um tio que seria motorista do Coronel Jairo, pai do então vereador.
Dia da morte
Na madrugada de 8 de março de 2021, dia do crime, Monique Medeiros contou que Henry dormia no quarto do casal, enquanto ela e Jairinho estavam em outro cômodo. Ela suspeita que o então namorado lhe administrou medicamentos para dormir, prática que, segundo ela, já havia presenciado em outras ocasiões.
De acordo com Monique, Jairinho fazia isso "para que ela não conversasse com outros homens enquanto ele estava dormindo".
Monique narrou ter sido acordada por Jairinho por volta das 3h40. Ele teria informado que ouviu um barulho e, ao entrar no quarto, encontrou o menino no chão, recolocando-o na cama. Jairinho repetia que Henry não estava respirando adequadamente.
O casal dirigiu-se ao hospital. Lá, o então vereador afirmava ter ouvido um barulho. No hospital, Monique endossou a versão do namorado, mas em depoimento admitiu à juíza que não tinha ouvido nada.
Sem marcas
Monique descreveu que, no hospital, iniciou-se "um pesadelo", referindo-se a duas horas e meia de manobras de ressuscitação. Ela detalhou que o menino chegou ao hospital com o corpo "branquinho", sem marcas ou lesões visíveis.
“Na minha cabeça, como não tinha nenhum sinal, então, só podia ser uma queda da cama”.
Durante o depoimento, a mãe de Henry Borel afirmou que, na época, não havia conhecimento público sobre outras denúncias de agressão a crianças por parte de Jairinho.
Na quinta-feira anterior, duas ex-namoradas de Jairinho prestaram depoimento e confirmaram as denúncias de agressão contra duas crianças.
Monique Medeiros declarou que, poucos dias antes de sua prisão e da de Jairinho, em 7 de abril de 2021, confrontou o ex-companheiro.
“Eu realmente dei alguns tapas no rosto dele e falei ‘você matou meu filho’”. Em resposta, ele teria pegado uma bíblia e jurado nunca ter encostado um dedo em seu filho.
Ela atribuiu a Jairinho o arremesso dos celulares do casal pela janela quando investigadores foram ao apartamento. "Eu estava dormindo".
Questionada pela juíza Elizabeth Machado Louro se Jairinho era o responsável pela morte de Henry Borel, Monique Medeiros respondeu: “acho que pode ter sido”.