A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) posicionou-se em defesa do Pix nesta semana, rebatendo as críticas do governo dos Estados Unidos que apontam o sistema de pagamentos instantâneos como uma barreira à concorrência. Em comunicado oficial, a entidade brasileira argumentou que as conclusões do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) se fundamentam em dados incompletos acerca dos propósitos e da operacionalidade da plataforma.

Essa declaração surge na sequência da publicação de uma investigação comercial promovida pelo órgão americano. O relatório do USTR sugere que o Pix poderia restringir a atuação e a competitividade de empresas dos EUA no mercado financeiro brasileiro.

A Febraban enfatizou que o Pix não possui finalidade comercial. Ele foi concebido como uma infraestrutura de pagamentos com o objetivo primordial de intensificar a competição entre as instituições financeiras e otimizar a eficiência global do sistema financeiro nacional.

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"O Pix constitui uma infraestrutura de pagamento, e não um produto comercial, que favorece a competição e assegura o bom funcionamento do ecossistema de pagamentos", afirmou a federação.

Sistema aberto e inclusivo

A federação também refutou categoricamente a alegação de que o Pix apresente caráter discriminatório. Segundo a entidade, a plataforma não impõe barreiras à entrada de novos participantes, independentemente de seu porte ou segmento de atuação no mercado.

A única condição para adesão é que as empresas operem no mercado nacional, uma vez que o sistema processa transações exclusivamente em reais e foi projetado para atender às especificidades do cenário financeiro brasileiro.

A Febraban reiterou que o Pix opera como uma plataforma de acesso universal, disponível a todos os residentes no país. Isso inclui tanto cidadãos brasileiros quanto estrangeiros, abrangendo tanto pessoas físicas quanto jurídicas.

Adicionalmente, foi salientado que as transferências entre pessoas físicas são totalmente gratuitas. Para empresas, a cobrança de taxas pode ocorrer, mas sem qualquer discriminação entre companhias nacionais e estrangeiras.

Contribuições econômicas e inclusão

A entidade argumenta que o Pix tem desempenhado um papel crucial na inclusão financeira, ao promover a redução de custos operacionais e expandir significativamente o acesso a meios de pagamento digitais.

Conforme a federação, o sistema também gerou notáveis ganhos de eficiência para o setor empresarial, simplificando os processos de cobrança e recebimento, em particular para operações de menor valor.

Tarifas e diálogo em pauta

A Febraban expressou a expectativa de que as contribuições do Banco Central, das instituições financeiras brasileiras e de bancos americanos possam esclarecer os questionamentos levantados pelo USTR durante a fase de consulta pública.

Este debate ganha relevância em um momento em que o órgão americano propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre as exportações brasileiras, com vigência a partir de 15 de julho. Tal medida faz parte de uma investigação sobre práticas comerciais supostamente desleais, conforme a visão dos Estados Unidos.

No rascunho divulgado pelo governo americano, o Pix é reiteradamente mencionado como um mecanismo capaz de restringir a atuação de empresas estrangeiras no segmento de pagamentos digitais. Contudo, essa avaliação é veementemente contestada pelo sistema financeiro brasileiro.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil