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Os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2025, divulgados nesta terça-feira (8) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), indicam que o Brasil diminuiu a diferença em desempenho escolar em relação a países desenvolvidos, embora ainda permaneça abaixo da média global. A avaliação, que mede conhecimentos de estudantes de 15 anos em matemática, leitura e ciências, revelou que o país obteve 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências, mantendo-se estáveis em relação a 2022.
Apesar da estabilidade, as notas brasileiras ficaram abaixo da média de 23 países da OCDE, que registraram 466 em leitura, 469 em matemática e 486 em ciências. Essa diferença equivale a aproximadamente 4,6 anos de atraso em matemática, por exemplo. No entanto, a comparação com 2006 mostra uma redução significativa na lacuna de desempenho. A diferença em leitura caiu de 102 para 58 pontos, em matemática de 131 para 92, e em ciências de 113 para 77.
O estudo de 2025 abrangeu 760 mil estudantes de 91 países, com a participação de 30.140 brasileiros. Os dados apontam uma recuperação brasileira pós-pandemia de COVID-19 superior à média da OCDE, com perdas menores em leitura e matemática e superação do desempenho pré-pandemia em ciências. A aplicação no Brasil é coordenada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ligado ao Ministério da Educação (MEC).
Ferramentas computacionais e aprendizado digital
Nesta edição, o Pisa introduziu o domínio "Aprendizagem no Mundo Digital", avaliando a Resolução de Problemas por meio de Ferramentas Computacionais (RPFC) e Processos de Aprendizagem Autorregulada. Em RPFC, o Brasil obteve 406 pontos, abaixo da média da OCDE (500). Os resultados sobre aprendizagem autorregulada serão divulgados em 2027.
Uso de celulares em sala de aula
A pesquisa de 2025 também destacou um aumento expressivo no número de escolas brasileiras com restrições ao uso de celulares em sala de aula, atingindo 81% dos estudantes avaliados, contra 37% em 2022. Esse percentual é significativamente maior que a média da OCDE (49%) e está alinhado à Lei nº 15.100/2025, que regulamenta o uso desses dispositivos na educação básica.
Engajamento e valorização da escola
O estudo revelou que 72% dos estudantes brasileiros demonstram interesse por diversos assuntos e 59% se esforçam diante de desafios. A percepção da escola como perda de tempo caiu para 16%, um índice inferior à média da OCDE (24%). Estudantes que valorizam a educação obtêm, em média, 35 pontos a mais em ciências.
Atitudes em relação ao meio ambiente
O Pisa 2025 também indicou um alto engajamento dos estudantes brasileiros com questões ambientais. Grande parte acredita em seu potencial de impacto positivo, na força da ação coletiva e na capacidade de trabalhar em grupo para promover mudanças, com percentuais superiores aos da média da OCDE.