Os dados divulgados pelo Pisa 2025 indicam que o Brasil manteve estabilidade em suas pontuações de leitura, matemática e ciências, aproximando-se da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No entanto, especialistas alertam que essa aproximação ocorreu mais pela redução nas notas dos países desenvolvidos do que por avanços expressivos na educação nacional, exigindo melhorias consistentes de aprendizagem no longo prazo.

O indicador do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes avalia jovens de 15 anos a cada três anos. Na edição atual, o Brasil obteve 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. Os números deixam o país abaixo da média da OCDE, representando um atraso estimado de cerca de 4,6 anos escolares na área de matemática.

Apesar do patamar considerado baixo, a distância em relação às nações membros diminuiu consideravelmente desde 2006. Em leitura, por exemplo, a diferença caiu de 102 para 58 pontos. Em matemática e ciências, o encurtamento da lacuna também foi expressivo, somando 39 e 36 pontos de redução, respectivamente, nos últimos vinte anos.

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Ganhos em escala e desafios pedagógicos

Especialistas da área educacional ressaltam que não ter registrado quedas acentuadas foi positivo. Contudo, transformar a estabilidade em crescimento real permanece sendo a maior barreira. Apenas 28% dos estudantes brasileiros alcançaram o nível mínimo de proficiência em matemática, revelando limitações profundas na resolução de problemas e interpretação de conceitos essenciais.

Outra questão relevante reside nos efeitos da pandemia sobre esta geração. Segundo dados apresentados por entidades do setor, a recomposição de aprendizagem ainda não atingiu o ritmo necessário. Além disso, o país possui uma parcela insignificante de alunos nos níveis mais avançados de desempenho escolar, refletindo um gargalo nas duas pontas da pirâmide de ensino.

Desigualdades educacionais e perfil dos alunos

A disparidade socioeconômica continua marcando o cenário nacional. Em ciências, a diferença de pontuação entre os 25% mais favorecidos e os 25% mais vulneráveis atinge 96 pontos, equivalente a quase cinco anos de escolaridade. A edição avaliou mais de 30 mil estudantes brasileiros, em sua maioria matriculados no ensino médio da rede pública em zonas urbanas.

Tecnologia e restrições no ambiente escolar

O levantamento contextual apontou um aumento significativo na restrição de celulares em sala de aula, saltando de 37% em 2022 para 81% das escolas brasileiras em 2025. O índice supera o registrado entre os países da OCDE. Apesar da medida para diminuir distrações, cerca de 46% dos alunos declaram utilizar Inteligência Artificial semanalmente para os estudos.

Analistas concluem que a presença ampliada da tecnologia não assegurou, por si só, um ganho no aprendizado. O foco atual deve se voltar à promoção do pensamento crítico, leitura aprofundada e capacidade de síntese, utilizando ferramentas digitais para potencializar o raciocínio dos estudantes sem substituir o desenvolvimento cognitivo básico.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil