Durante o Agosto Dourado, o Ministério da Saúde e entidades médicas reforçam a importância da amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida para garantir a nutrição e a imunidade dos bebês no Brasil. A mobilização integra a Semana Mundial do Aleitamento Materno, que alerta para os benefícios do leite humano e combate a desinformação sobre a alimentação de recém-nascidos.

A dona de casa Lorrany Duarte vivencia esse apoio ao amamentar sua segunda filha, Elisa, no Hospital Regional de Taguatinga. Após enfrentar complicações com a primeira filha, alimentada precocemente com fórmula infantil, ela conta com o auxílio do banco de leite e de sua irmã Marielly para manter a nutrição natural da criança.

Assédio comercial das fórmulas infantis

A médica Rossiclei Pinheiro, presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (DCAM-SBP), alerta para a pressão das indústrias alimentícias. Segundo a especialista, o marketing ostensivo tenta substituir indevidamente o leite materno por fórmulas infantis ultraprocessadas em consultórios e maternidades.

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A pediatra destaca que a fórmula é indicada apenas sob orientação médica em situações específicas, como para mães que vivem com HIV ou lactentes com alergias severas. A prescrição inadequada e a compra sem diagnósticos prévios podem comprometer o desenvolvimento e a saúde da criança.

Impacto socioeconômico e proteção legal

Além dos ganhos de imunidade, a prática do aleitamento reduz custos financeiros para as famílias, diminuindo gastos com medicamentos e prevenindo ausências no trabalho. Essa estratégia também se alinha aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

No país, a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes (NBCAL), amparada pela Lei 11.265/2006, proíbe o patrocínio industrial a médicos e regula a publicidade de mamadeiras e chupetas. A Sociedade Brasileira de Pediatria reforça que bicos artificiais provocam confusão de sucção e aceleram o desmame precoce.

Metas de aleitamento no Brasil

O Brasil estabeleceu o compromisso de atingir 70% de adesão ao aleitamento materno exclusivo até 2030. Os dados demonstram avanços históricos: pesquisas do Estudo Nacional de Nutrição Infantil (Enani), da UFRJ, indicam que o índice de amamentação exclusiva saltou de 4,7% na década de 1980 para 45,8% em 2019, evidenciando o impacto positivo das políticas públicas nacionais.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil