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Organizações que representam jornalistas brasileiros manifestaram veemente repúdio às agressões e ameaças direcionadas a profissionais da imprensa que atuam nas proximidades do hospital particular onde o ex-presidente da República Jair Bolsonaro está internado, em Brasília.
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) emitiram comunicados exigindo a proteção desses profissionais.
Conforme a Abraji, alguns jornalistas começaram a receber ameaças e ofensas após uma influenciadora digital bolsonarista divulgar um vídeo. Nele, ela acusa os profissionais de imprensa, filmados na porta do Hospital DF Star aguardando informações sobre o estado de saúde de Bolsonaro, de desejarem a morte do ex-presidente.
O vídeo foi amplamente compartilhado por parlamentares e pela própria ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que possui mais de 8 milhões de seguidores em suas plataformas digitais.
A Abraji classificou a divulgação do vídeo, sem qualquer verificação prévia, como um ato irresponsável. Segundo a associação, o material foi distorcido e expôs jornalistas “que estavam simplesmente exercendo seu trabalho” a ameaças e difamações.
“É inadmissível que parlamentares e figuras com grande alcance no debate social utilizem sua influência para orquestrar campanhas de difamação e incitar agressões contra os profissionais da imprensa. Esse tipo de ataque não representa apenas uma ameaça individual, mas sim um atentado direto à liberdade de imprensa e aos fundamentos da democracia”, enfatizou a Abraji, em nota divulgada neste domingo (15).
A associação também relatou que as hostilidades transcenderam o ambiente digital, com pelo menos duas repórteres sofrendo ataques presenciais após serem reconhecidas em espaços públicos.
Além disso, montagens e vídeos criados com o auxílio de inteligência artificial foram divulgados, incluindo simulações de uma das profissionais sendo esfaqueada. Fotografias de filhos e parentes de jornalistas também estão sendo utilizadas como ferramentas de intimidação e assédio, segundo a Abraji.
Em um comunicado conjunto, a Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal também exigiram a proteção dos trabalhadores da mídia. “Ressaltamos que é dever do Estado assegurar a segurança dos profissionais em locais públicos e de interesse jornalístico”, destacaram as entidades, adiantando que solicitarão o reforço da Polícia Militar na entrada do hospital para prevenir “restrições e agressões” ao trabalho da imprensa “por parte de militantes”.
“É crucial a apuração rigorosa das ameaças para evitar a recorrência de tais incidentes. Solicitamos às autoridades policiais e ao Ministério Público que identifiquem e responsabilizem os autores das ameaças virtuais e aqueles que expuseram indevidamente os dados dos profissionais”, reivindicaram a Fenaj e o sindicato.
As organizações também cobram que as empresas de jornalismo ofereçam condições adequadas para que seus funcionários possam exercer suas funções, afastando-os do hospital caso se sintam inseguros e providenciando suporte jurídico.
“Reafirmamos que a liberdade de imprensa constitui um pilar essencial da democracia. O jornalismo desempenha um papel vital em levar os fatos ao conhecimento público e não pode ser cerceado por métodos de coação física ou psicológica. Não toleraremos a intimidação como estratégia política”, concluíram as entidades.
A Agência Brasil não obteve resposta ao tentar contato com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal e com a Polícia Civil para verificar a existência de registros de ocorrência.
Internação
O ex-presidente Bolsonaro está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star desde a manhã da última sexta-feira (13), recebendo tratamento para uma broncopneumonia bacteriana bilateral, provavelmente de origem aspirativa.
Conforme o boletim médico divulgado nesta manhã, seu estado clínico é estável, e houve uma melhora na função renal entre ontem (14) e hoje. Contudo, devido a uma elevação nos marcadores inflamatórios sanguíneos, a equipe médica optou por aumentar a dosagem de antibióticos.
Ainda não há uma previsão para sua saída da UTI e transferência para um quarto. Após a alta hospitalar, ele deverá retornar à Papudinha (estrutura no Complexo Penitenciário da Papuda), onde cumpre uma pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros delitos relacionados.