Um teste recente conduzido pela Anistia Internacional Brasil revelou falhas graves na moderação do Facebook ao aprovar anúncios contendo desinformação eleitoral. A análise divulgada nesta terça-feira, realizada a poucas semanas do pleito, demonstrou que a plataforma aceitou a programação de postagens antidemocráticas direcionadas aos eleitores brasileiros.

Ao todo, os ativistas submeteram 15 publicações pagas em português. Dessas, 14 apresentavam conteúdos intencionalmente enganosos e apenas uma era neutra. Mesmo sem chegar à veiculação final, mais da metade das peças antidemocráticas recebeu aprovação do sistema da Meta.

A organização categorizou as estratégias enganosas utilizadas no estudo em três eixos centrais:

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  • Deslegitimação eleitoral: tentativas de minar a confiança no sistema de votação ou nos resultados;
  • Construção do inimigo: ataques a tribunais e opositores como ameaças à nação;
  • Autoritarismo: defesa de intervenção militar como resposta para problemas sociais.

Uma das peças aprovadas defendia abertamente uma revolução armada para impedir a votação. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já reiterou em diversas ocasiões que esse tipo de alegação sobre cancelamento de eleições é totalmente falsa.

Falhas no sistema de moderação

A ONG detalhou que oito das 14 publicações enganosas acabaram aceitas. Curiosamente, os sete anúncios rejeitados não foram vetados pelo conteúdo falso, mas sim por exigências cadastrais de verificação de identidade sobre pautas políticas.

Para Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, o resultado é alarmante. Segundo a executiva, a Meta falha em conter a proliferação de mentiras enquanto continua lucrando bilhões de dólares com publicidade digital.

Envios do exterior e regras do TSE

A investigação também chamou a atenção ao realizar os disparos a partir de Londres sem o uso de VPN. Para os pesquisadores, a facilidade de enviar campanhas do exterior levanta sérias preocupações sobre interferências externas nos processos democráticos.

Em resposta, a Meta declarou que o levantamento utilizou uma amostra pequena de anúncios jamais publicados. A empresa destacou que possui protocolos rigorosos em camadas e investe recursos significativos para proteger a integridade das eleições no Brasil.

No país, as regras do TSE determinam que as plataformas devem adotar medidas eficazes para conter fatos notoriamente inverídicos. Além disso, conteúdos que ataquem sem provas o sistema eletrônico de votação devem ser removidos sumariamente pelas redes.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil