O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado ao Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), estima que a economia brasileira registrará um crescimento de 1,8% neste ano.

Esta projeção otimista para o Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma de bens e serviços produzidos no país, considera o cenário de incertezas globais e o consequente aumento do preço internacional do petróleo, decorrentes da guerra iniciada em fevereiro entre Estados Unidos e Irã.

Apesar de reconhecer que o mundo atravessa um período de elevada tensão geopolítica, o Ipea demonstra um “moderado otimismo”, conforme destacado na Carta de Conjuntura nº 70, divulgada nesta quinta-feira (9).

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O estudo aponta que a forte instabilidade externa contrasta com a resiliência de alguns aspectos da economia brasileira observados nos últimos anos, em particular o aumento consistente da renda disponível das famílias e a expansão do crédito oferecido pelo sistema financeiro nacional.

No contexto nacional, o consumo das famílias, impulsionado pela elevação real do salário mínimo, configura-se como um dos principais impulsionadores da atividade econômica, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), órgão responsável pelo cálculo do PIB e também ligado ao MPO.

O crédito em expansão tem o potencial de estimular investimentos privados, contribuindo adicionalmente para o crescimento do PIB.

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Além do consumo e dos investimentos, o cálculo do crescimento do PIB leva em conta os gastos governamentais e o balanço comercial, que compreende a diferença entre exportações e importações.

Gastos e receitas

De acordo com o Ipea, a política fiscal seguirá o novo arcabouço, combinando o aumento de despesas sociais com o crescimento das receitas públicas. Essa dinâmica é reflexo direto da política de valorização do salário mínimo e da vinculação dos gastos com saúde à receita corrente líquida da União.

Em relação ao comércio exterior, o Ipea prevê que este será beneficiado por políticas fiscais expansionistas, impulsionadas por investimentos em inteligência artificial e pelos gastos com armamentos decorrentes do conflito no Oriente Médio.

O instituto recorda que a guerra na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, não impediu um crescimento de 5,8% no comércio mundial naquele ano.

Períodos de quatro anos

No ano passado, o Ipea acertou a previsão de crescimento do PIB em 2,3%. Caso a projeção atual se concretize, a soma do crescimento econômico para o período de 2023 a 2026 atingirá 10,7%, superando os dois quadriênios anteriores.

Este resultado seria cinco pontos percentuais superior ao do quadriênio anterior (totalizando 5,7% entre 2019 e 2022) e 0,8 ponto percentual acima do PIB acumulado entre 2015 e 2018 (9,9%).

A estimativa do Ipea para o PIB em 2027 é de um crescimento de 2%.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil