O Tribunal do Júri do Rio de Janeiro julgará, no dia 26 de novembro, os policiais militares acusados pela morte de Kathlen Romeu, grávida de quatro meses baleada em 2021. Diante da proximidade do julgamento, a mãe da jovem cobra o apoio da sociedade civil para que o caso Kathlen Romeu não termine impune, reacendendo o debate sobre a letalidade policial nas comunidades fluminenses.

Jacklline de Oliveira, de 45 anos, e Luciano Gonçalves, de 49, relembram com dor a trajetória da filha única. Kathlen tinha 24 anos, planejava ser modelo e havia acabado de adquirir seu primeiro imóvel na planta quando foi atingida por um tiro de fuzil no Lins de Vasconcelos, na Zona Norte do Rio, durante uma suposta ação policial.

A versão dos agentes de que revidavam a um ataque criminoso nunca foi comprovada pelas investigações. Os réus Rodrigo Correia de Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano, que respondem em liberdade e estão afastados de suas funções, serão julgados por homicídio após uma longa batalha jurídica travada pela família contra a impunidade.

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Estatísticas de letalidade policial

O drama da família de Kathlen reflete uma realidade estrutural no estado. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) apontam que a polícia do Rio de Janeiro matou 798 pessoas em 2025. Esse número alarmante representa quase 20% de todas as mortes violentas intencionais registradas no território fluminense naquele ano.

Estudos do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) reforçam que apenas uma parcela ínfima das mortes causadas por intervenção do Estado resulta em denúncias ou condenações criminais. Para os pais de Kathlen, a condenação dos envolvidos é um passo essencial para frear a violência que atinge majoritariamente jovens negros e periféricos.

"A nossa luta é pela memória, reparação e justiça, mas em prol de uma juventude negra viva", desabafa Jacklline. A família ressalta que o processo só avançou após forte pressão social, superando inclusive tentativas iniciais de arquivamento por parte do Ministério Público estadual na fase inicial das investigações.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil