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No Brasil, quatro em cada dez mulheres já abriram mão de uma vaga de emprego ou oportunidade profissional em virtude de dificuldades de mobilidade feminina. Conforme aponta a pesquisa O Direito de Ir, Vir e Viver, os principais fatores desfavoráveis são a falta de segurança, o custo elevado, o tempo de percurso e a distância territorial.
O levantamento foi realizado pela Indique em parceria com a Think Eva e a 99. Os resultados mostram que mais da metade das entrevistadas também deixou de comparecer a compromissos de trabalho ou recusou convites pelos mesmos motivos, enquanto um quinto já desistiu de capacitações e faculdades.
A sensação de insegurança faz com que a maioria evite certos bairros da cidade e planeje horários específicos. Para se proteger, 63% já evitaram algum meio de transporte e 60% escolheram rotas alternativas para chegar aos seus destinos.
Entrevistas com 564 brasileiras revelaram que a violência é o principal impedimento, citado por 32% delas. A falta de dinheiro aparece em segundo lugar, seguida pela precariedade do transporte público e pela distância dos locais.
Assédio e impactos na rotina
Outro aspecto alarmante é a preocupação com o assédio sexual. O estudo constatou que 89% relatam ter sido vítimas em pelo menos um tipo de veículo, com forte predominância nos ônibus e nos deslocamentos a pé.
Os carros por aplicativo são opções recorrentes para oito em cada dez ouvidas, embora tenham custos mais elevados. No total, 68% declaram não ter veículo próprio e metade gasta mais de uma hora diária em deslocamentos.
O peso do trabalho de cuidado
Historicamente atribuído às mulheres, o cuidado também molda rotinas complexas. Cerca de 54% afirmam exercer esse tipo de trabalho sozinhas, o que gera trajetos repletos de paradas intermediárias para escolas, farmácias e consultas.
A etapa quantitativa da pesquisa foi realizada entre junho e julho de 2026, ouvindo mulheres entre 18 e 60 anos em diversas capitais e cidades de todo o país.