A Polícia Federal (PF) interceptou mensagens que revelam articulações do senador Flávio Bolsonaro para obter recursos destinados ao filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com os relatórios enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF), o parlamentar teria cobrado repasses milionários do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para viabilizar a produção cinematográfica.

Os investigadores apontam que o senador solicitou R$ 131 milhões a Vorcaro, dos quais cerca de R$ 60 milhões teriam sido efetivamente pagos. A PF também apura indícios de reuniões presenciais entre ambos e a participação do deputado federal Eduardo Bolsonaro na facilitação das transações financeiras internacionais.

Encontros presenciais sob suspeita

As mensagens diretas entre Flávio e Vorcaro começaram em agosto de 2025. Em um dos diálogos analisados, o senador confirmou um encontro enviando uma imagem do ex-presidente americano Donald Trump. Para os agentes federais, o teor das conversas sugere que reuniões pessoais ocorreram para alinhar o cronograma de pagamentos.

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Além disso, o publicitário Thiago Miranda, apontado como intermediário do esquema, teria agendado outros encontros ao longo do segundo semestre daquele ano. Em uma das ocasiões, Flávio convidou o banqueiro para um jantar com a equipe responsável pela produção do longa-metragem.

Preocupação com repercussão internacional

Em áudios obtidos pela investigação, Flávio Bolsonaro demonstrou forte preocupação com o atraso das parcelas. O senador alertou sobre o risco de um desgaste internacional caso a produção deixasse de pagar astros de Hollywood contratados para o projeto, como os atores Jim Caviezel e Cyrus.

"Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, os caras renomadíssimos lá no cinema americano", afirmou o parlamentar em uma das mensagens gravadas. Pouco antes da deflagração da Operação Compliance Zero, Flávio enviou uma mensagem de apoio a Vorcaro, reforçando a aliança entre eles.

Envio de divisas para os Estados Unidos

A PF também mapeou a rota financeira do dinheiro. Um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) identificou sete remessas da empresa Entre Investimentos para o Havengate Development Fund LP, nos Estados Unidos, totalizando US$ 12,33 milhões. O fundo estava inativo há anos e só registrou movimentações ao receber os aportes para o filme.

A entidade internacional é gerida pelo advogado Paulo Calixto, aliado próximo de Eduardo Bolsonaro. A suspeita é de que parte desses recursos possa ter financiado a estadia de Eduardo em território americano. Em mensagens capturadas, o ex-deputado orientava sobre a complexidade de realizar transferências graduais para o exterior.

Disputa jurídica por documentos

A Go Up Entertainment LLC, produtora associada ao projeto, recusou-se a entregar documentos contábeis diretamente às autoridades brasileiras. O sócio majoritário, Michael Davis, argumentou que o compartilhamento de dados nos Estados Unidos deve seguir os trâmites formais de cooperação jurídica internacional.

A defesa de Flávio e Eduardo Bolsonaro nega veementemente qualquer irregularidade no financiamento da obra. A apuração sobre a cinebiografia corre em paralelo às investigações principais do caso Banco Master.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil