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Em uma visita ao Rio de Janeiro nesta quinta-feira (26), Michael J. LiPetri, chefe de Departamento da Polícia da Cidade de Nova York, ressaltou a relevância do uso intensivo de monitoramento remoto e da ciência de dados para o enfrentamento da segurança pública. A administração municipal carioca vê a cidade americana como um referencial para a estruturação da nova Força Municipal, uma divisão de elite armada da Guarda Municipal com previsão de início de operações em março.
LiPetri esteve na Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia em Apoio à Segurança Pública (CIVITAS Rio), onde compartilhou experiências com o prefeito Eduardo Paes.
“Em Nova York, damos prioridade à colaboração entre nossos melhores cientistas de dados e os comandantes policiais. Eles são capazes de mapear a cidade e antecipar padrões de criminalidade”, afirmou.
Ele explicou que a análise de dados permitiu identificar que as noites de sexta, sábado e domingo, assim como determinados horários, concentram os índices de violência. “Concluímos que a maioria dos policiais não tem folga nesses dias. É nesses períodos que concentramos o maior contingente nas ruas, o que resultou no ano mais seguro da história da cidade no ano passado”, detalhou.
Análise de dados como ferramenta estratégica
A prefeitura do Rio informou que a principal inspiração vinda de Nova York é o CompStat, um sistema desenvolvido nos anos 1990 para a gestão estratégica fundamentada na análise de dados e indicadores de segurança.
O novo Sistema de Segurança Municipal (SSM) abrangerá 22 áreas prioritárias de monitoramento. A meta é identificar as regiões com maior incidência criminal, realizar reuniões semanais para avaliação de resultados, analisar dados, otimizar a alocação de efetivo por período e tipo de delito, e focar na prevenção e responsabilização direta dos comandantes.
Breno Carnevale, secretário de Segurança Urbana do Rio, indicou que o combate a furtos e roubos será um dos focos principais da Força Municipal, crimes que, segundo ele, afetam mais diretamente o cotidiano da população. A intenção é que atue como uma força complementar, sem interferir nas atribuições investigativas da Polícia Civil nem nas operações da Polícia Militar.
Os agentes estarão equipados com câmeras corporais e GPS em tempo real, sendo monitorados diretamente no Centro de Operações da Prefeitura. O prefeito Eduardo Paes destacou que o diferencial da Força Municipal será sua atuação pautada em planejamento, gestão por indicadores e rápida adaptação estratégica.
“Foram mais de 500 horas de treinamento, abrangendo a parte teórica, operacional e o uso do sistema, incluindo as câmeras corporais. Incluímos disparos de arma de fogo, treinamento de saque rápido, enfim, todo o currículo de uma academia de polícia, para que possam atuar nas ruas com maior preparo”, explicou Carnevale.
Uma das preocupações levantadas é a capacidade de diálogo e colaboração efetiva entre as forças de segurança municipal e estadual, considerando o histórico de desentendimentos entre os gestores das esferas de poder.
“A integração com a Polícia Militar e com a Secretaria de Segurança do Estado já está em andamento. Trabalharemos em conjunto. Nossas forças sempre atuaram de forma integrada, independentemente do cenário político. Há um encaminhamento tranquilo a respeito disso”, assegurou o prefeito.
Desde a aprovação da criação da Força Municipal, o novo modelo de segurança proposto pela prefeitura tem enfrentado críticas e objeções. Vereadoras como Mônica Cunha (PSOL) e Maíra do MST (PT) expressaram receio de que uma nova força armada nas ruas possa gerar o efeito oposto, aumentando a insegurança para a população. Elas argumentam que grupos sociais como camelôs e professores já são vítimas de violência por parte de guardas municipais e ficariam ainda mais expostos a riscos.