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Situado na Glória, zona sul do Rio de Janeiro, o quilombo urbano Ferreira Diniz abriga 14 famílias em um terreno repleto de árvores frutíferas e casarões históricos. Recentemente, a comunidade foi oficialmente tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), tornando-se um marco de preservação cultural e social na capital fluminense.
O local ganhou notoriedade não apenas pela sua importância histórica, mas também por funcionar como um polo gastronômico. A tradicional feijoada preparada por Maria Aparecida Ferreira, a Tia Cida, atrai centenas de visitantes todas as semanas ao quintal da comunidade, transformando-se em uma ferramenta de subsistência e visibilidade.
Tradição e afeto
As raízes da comunidade remontam à década de 1950, quando a matriarca Maria Isabel Ferreira passou a residir no antigo casarão. Ao longo das décadas, os familiares resistiram ao abandono de imóveis e à forte pressão da especulação imobiliária ao redor.
Para Tia Cida, cozinhar vai muito além de alimentar o público. Cada porção servida carrega a memória de seus ancestrais e o objetivo de proporcionar força e alegria aos frequentadores que visitam o espaço aos finais de semana.
Proteção patrimonial
O tombamento realizado pelo Iphan engloba todo o terreno da Rua Cândido Mendes, resguardando tanto o casarão neoclássico quanto o quintal coletivo. A medida jurídica e simbólica visa combater o apagamento histórico e garantir a permanência das famílias diante da expansão imobiliária urbana.
Além disso, a associação local busca junto ao Incra o reconhecimento da posse coletiva da terra. Enquanto isso, o espaço segue pulsando com atividades culturais, rodas de capoeira e festividades que reafirmam a ancestralidade negra no coração do Rio de Janeiro.