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O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) cobrou dos candidatos à Presidência da República propostas concretas para combater a violência infantil no Brasil. A organização analisou os planos de governo dos postulantes e defende que o foco das diretrizes deve ser a prevenção e a adaptação às vulnerabilidades de crianças e adolescentes.
Ao avaliar as propostas de Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos, a entidade identificou 178 menções ao tema. Contudo, a maioria das campanhas prioriza respostas punitivas após a ocorrência dos crimes, em vez de investir em ações preventivas integradas.
Para proteger os jovens de forma eficaz, o representante do Unicef no Brasil, Joaquin Gonzalez-Aleman, ressaltou a importância de agir antes da agressão. Segundo ele, é essencial fortalecer as famílias, a saúde, a assistência social e criar oportunidades educacionais para a juventude.
Propostas de prevenção e parentalidade
Entre as recomendações, o Unicef propõe a inclusão da parentalidade protetiva em programas sociais. A medida prevê capacitar agentes públicos para orientar famílias contra práticas violentas. Além disso, a instituição defende uma Política Nacional de Prevenção de Violências contra Adolescentes articulada entre educação, trabalho e segurança.
Dados alarmantes e desigualdades
O cenário nacional revela urgência: no último ano, 2.079 crianças e adolescentes foram mortos de forma violenta, sendo a maioria formada por jovens negros do sexo masculino. O mais recente Anuário de Segurança Pública também registrou mais de 38 mil casos de maus-tratos domésticos e 61 mil estupros de vulneráveis cometidos por conhecidos.
O Unicef apontou ainda que os planos de governo tratam a infância de maneira homogênea, ignorando marcadores cruciais como raça, etnia e gênero. Na avaliação do órgão, faltam diretrizes específicas para a proteção de crianças negras e indígenas, que figuram entre os grupos mais vulneráveis no país.
Diferenças entre os planos de governo
A análise mostra divergências entre os candidatos. Os planos de Flávio Bolsonaro e Romeu Zema focam na repressão e punição. Ronaldo Caiado combina penalização com medidas intersetoriais de prevenção, enquanto a proposta de Lula prioriza a prevenção da violência infantojuvenil. Já Renan Santos não faz menções explícitas ao tema.