O Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), localizado na capital fluminense, está prestes a inaugurar uma nova instalação dedicada ao tratamento e à pesquisa de doenças raras, denominada Centro de Saúde Pública de Precisão.

Com previsão de abertura em agosto, esta estrutura prestará assistência integral e exclusiva a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Uma enfermidade é classificada como rara ao afetar até 65 pessoas em cada grupo de 100 mil. Embora a maioria dessas condições já identificadas possua uma base genética, algumas podem igualmente ser desencadeadas por agentes infecciosos ou influências ambientais.

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De acordo com estimativas do Ministério da Saúde, aproximadamente 13 milhões de brasileiros são portadores de alguma das cerca de 7 mil doenças raras catalogadas, e uma parcela significativa dessas condições pode resultar em incapacidade.

O desafio do diagnóstico

Soniza Vieira Alves-Leon, chefe do Setor de Gestão da Pesquisa e Inovação Tecnológica do Complexo Hospitalar, ressalta que essas enfermidades continuam a ser um grande desafio para a medicina, uma vez que afetam uma parcela reduzida da população, o que complica a condução de pesquisas aprofundadas sobre elas.

"Algumas dessas condições sequer foram completamente descritas, o que significa que a ciência ainda não compreende a totalidade de seus sintomas e causas", acrescenta a especialista.

Além disso, Soniza aponta que o diagnóstico preciso representa um obstáculo considerável, visto que nem todos os profissionais de saúde possuem a capacitação necessária para identificar corretamente essas patologias.

A confirmação definitiva do diagnóstico, ademais, frequentemente depende de exames de alto custo e de difícil acesso. Embora algumas doenças raras possam ser inicialmente detectadas pelo teste do pezinho, até mesmo nesses casos é exigida uma confirmação por meio de testes mais específicos.

Avanços no sequenciamento genético

No mês anterior, o Governo Federal divulgou a incorporação do principal exame para detecção de doenças raras no SUS: o Sequenciamento Completo do Exoma (WES).

Este teste de alta complexidade analisa a porção do DNA onde se localiza a maior parte das mutações genéticas responsáveis pelas doenças raras, utilizando amostras de sangue ou saliva. Contudo, devido à sua natureza complexa, poucos laboratórios no Brasil o oferecem.

Atualmente, no âmbito do SUS, apenas um laboratório é responsável pelo processamento das amostras coletadas em diferentes estados, com a previsão de que outro comece a prestar o mesmo serviço a partir de maio.

A expectativa é que essa medida reduza significativamente o tempo de espera pelo diagnóstico no país, que atualmente é de aproximadamente sete anos, para cerca de seis meses. O Centro de Saúde Pública de Precisão da UFRJ estará entre as unidades que oferecerão este exame de alta tecnologia.

O complexo hospitalar da UFRJ, cuja gestão é de responsabilidade da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), recebeu um aporte financeiro superior a R$ 19 milhões para a estruturação do novo centro.

Esse valor foi empregado, sobretudo, na adaptação de um espaço específico dentro do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho e na compra dos equipamentos necessários para a execução dos exames.

Impacto na qualidade de vida e pesquisa

Para complementar os testes genéticos, o novo centro também disponibilizará exames de biomarcadores, capazes de identificar alterações celulares, bioquímicas ou moleculares associadas a patologias específicas.

Soniza Vieira Alves-Leon enfatiza que a agilidade no diagnóstico correto amplia consideravelmente as possibilidades de que os pacientes recebam intervenções terapêuticas que promovam uma melhoria substancial em sua qualidade de vida.

Adicionalmente, a especialista afirma que a nova unidade impulsionará as pesquisas em genética e medicina de precisão, contribuindo para o avanço de novas estratégias de tratamento não apenas para doenças raras, mas também para o câncer.

"Com a implementação desta estrutura, será viável um diagnóstico mais precoce, um acompanhamento mais eficaz dos pacientes e o desenvolvimento de terapias inovadoras”, conclui.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil