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O Banco Central (BC) revelou, nesta segunda-feira (25), que a maior parte dos fundos ressarcidos aos clientes do conglomerado Master, após sua liquidação extrajudicial, foi direcionada para instituições bancárias de grande porte. A informação, detalhada no Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do segundo semestre de 2025, divulgado pela autoridade monetária, assegura que o episódio não gerou impactos sistêmicos no Sistema Financeiro Nacional (SFN).
“A liquidação extrajudicial de instituições integrantes do conglomerado Master não gerou efeitos sistêmicos no SFN”, destacou o relatório do BC, reiterando a robustez do sistema.
Destinação dos recursos do FGC
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) efetuou pagamentos totalizando R$ 37,7 bilhões aos clientes do Master, Master BI e Letsbank, no período de 19 de janeiro a 27 de fevereiro deste ano.
Desse montante, R$ 20,77 bilhões, correspondendo a 55,1%, foram aplicados em títulos emitidos por outras instituições financeiras. Outros R$ 1,47 bilhão foram direcionados para títulos privados, enquanto o restante, R$ 15,46 bilhões, teve outras destinações.
O Banco Central detalhou que os maiores bancos do sistema financeiro nacional foram os principais receptores desses valores restituídos pelo FGC. Instituições classificadas como S1, que englobam bancos com ativos superiores a 10% do PIB ou forte presença internacional, absorveram 40,9% dos recursos. Já os bancos S2, de grande porte e relevância sistêmica, receberam 24,2%.
Acompanhamento do Banco Central
Durante a apresentação do relatório, Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central, salientou que a migração desses recursos foi minuciosamente monitorada pela autoridade monetária. “Os recursos foram direcionados principalmente para instituições classificadas como S1 e S2”, afirmou Aquino, destacando que o acompanhamento foi feito “CPF por CPF e CNPJ por CNPJ”.
O diretor reforçou que a liquidação do conglomerado Master, que representava cerca de 0,1% dos ativos totais do sistema bancário brasileiro, “não gerou efeito no sistema financeiro”. Na semana anterior, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, já havia minimizado o risco sistêmico, descrevendo o Master como um “banco S3, na terceira divisão do futebol do sistema financeiro”.
Solidez do sistema financeiro
O Banco Central reafirmou, em seu relatório, a solidez do sistema financeiro brasileiro, mesmo diante de um cenário de juros elevados e aumento da inadimplência. “O BC considera que não há risco relevante para a estabilidade financeira. O SFN permanece com capitalização e liquidez confortáveis”, aponta o documento.
Os testes de estresse realizados indicam que as instituições bancárias mantêm uma robusta capacidade de resistência frente a cenários adversos. A autoridade monetária também observou que a rentabilidade das instituições financeiras permaneceu praticamente estável no segundo semestre de 2025.
“O crescimento dos resultados operacionais, ainda que em ritmo menor, compensou o aumento do custo com provisões”, avaliou o BC.
Desaceleração do crédito e crescimento do Pix
O relatório também apontou uma desaceleração no ritmo de concessão de crédito em 2025, afetando tanto famílias quanto empresas. Entre as pessoas físicas, o Banco Central identificou um aumento no comprometimento da renda e um avanço da inadimplência em diversas modalidades de crédito, prevendo que essa trajetória de alta na probabilidade de inadimplência deve persistir na maioria delas.
Apesar desse cenário, o BC garantiu que os bancos continuam com provisões adequadas para absorver eventuais perdas esperadas.
Por outro lado, o relatório destacou o contínuo crescimento do Pix no sistema de pagamentos nacional. A ferramenta de pagamentos instantâneos foi responsável por 29% das transações no varejo durante o segundo semestre de 2025.