O Banco de Brasília (BRB) confirmou o adiamento da divulgação de seu balanço financeiro de 2025, inicialmente programada para esta sexta-feira (29). A decisão, comunicada pela governadora do Distrito Federal, Celina Leão, visa permitir a conclusão de análises financeiras cruciais após a formalização de um acordo com a União, essencial para uma operação de capitalização destinada a fortalecer a instituição.

Em declaração à CNN Brasil, Celina Leão explicou que, embora a diretoria do BRB tivesse estabelecido 29 de maio como data para a apresentação do balanço, o cronograma foi alterado. Essa mudança ocorreu em função do recente acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que pavimentou o caminho para uma robusta operação de capitalização, com o suporte do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Apesar do adiamento, o BRB ainda não emitiu um fato relevante oficial à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). As confirmações sobre a postergação da divulgação do balanço foram feitas publicamente pela governadora Celina Leão e pelo presidente do banco, Nelson Souza, que concederam entrevistas ao Correio Braziliense e à TV Globo.

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Novo prazo para o balanço

A governadora Celina Leão reiterou que um adiamento de “cinco, 10 ou 15 dias” é visto como uma prática comum, dada a complexidade das negociações em curso com as instituições financeiras, tanto públicas quanto privadas, que integrarão a operação de capitalização.

"O BRB elaborou um planejamento detalhado para o Banco Central, propondo uma operação estratégica de recuperação de liquidez e capital. Todos esses passos estão devidamente formalizados, inclusive por meio de um acordo chancelado pelo Supremo Tribunal Federal", afirmou Celina Leão à CNN Brasil.

Em entrevista ao Correio Braziliense, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, indicou que a nova previsão para a divulgação do balanço é até 30 de junho. Ele justificou o atraso pela necessidade de finalizar importantes auditorias internas.

"Tínhamos como prazo para a publicação do balanço até 31 de março de 2026, mas isso não foi viável devido à necessidade de concluir as auditorias", explicou Souza.

A operação de capitalização bilionária

O acordo, selado entre o Distrito Federal, a União, o Banco Central e representantes do sistema financeiro, visa uma robusta operação para fortalecer o capital do BRB e restaurar a liquidez da instituição.

O plano de capitalização contempla um aporte total de R$ 8,8 bilhões. Desse montante, R$ 6,6 bilhões serão provenientes de um empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O BRB esclareceu que esses recursos serão gerados pelo próprio sistema financeiro, sem envolver uma transferência direta de fundos da União.

Adicionalmente, o acordo estabelece garantias atreladas aos repasses do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Auditorias pendentes e o cenário de crise

O BRB comunicou que o atraso na divulgação do balanço também se relaciona à necessidade de finalizar auditorias específicas, ligadas à operação Compliance Zero, que investiga irregularidades financeiras na instituição.

Nelson Souza informou que uma parte significativa das auditorias já foi finalizada, o que possibilitou ao banco estimar a necessidade de capitalização em R$ 8,8 bilhões. Contudo, os dados ainda aguardam verificações adicionais.

O plano de socorro financeiro foi elaborado em resposta às dificuldades de liquidez que o BRB enfrentou, especialmente após os desdobramentos envolvendo o Banco Master. A instituição bancária ressalta que essa operação visa restabelecer a confiança do mercado e assegurar a estabilidade financeira do BRB.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil