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No último domingo (1º), a capital paulista foi palco de um significativo ato contra o feminicídio, que culminou na inauguração de um mural de mais de 140 metros. A obra, pintada por grafiteiras e artistas visuais, presta homenagem a Tainara Souza Santos, de 31 anos, vítima de feminicídio em novembro de 2023. Este evento também deu início à programação oficial do governo federal em alusão ao Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março.
O local escolhido para o mural, situado na Marginal Tietê, no Parque Novo Mundo, zona norte da cidade, carrega a dolorosa memória do atropelamento e arrastamento de Tainara por Douglas Alves da Silva, de 26 anos, em 29 de novembro do ano anterior. Após a agressão, Tainara foi internada com ferimentos graves, necessitou da amputação das duas pernas e veio a óbito em 24 de dezembro, em decorrência das lesões sofridas.
O evento contou com ampla participação, reunindo representantes de movimentos sociais e sindicais, moradores da comunidade do Parque Novo Mundo e parlamentares. Entre as autoridades presentes estavam as ministras Márcia Souza, da Mulher; Marina Silva, do Meio Ambiente e Mudança do Clima; Sonia Guajajara, dos Povos Indígenas; além do ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira.
Em seu discurso, a ministra das Mulheres, Márcia Souza, ressaltou o simbolismo do mural: “Vamos olhar para aquele muro pintado pelas grafiteiras e vamos dizer: esse é o muro da restauração, da reparação, é o muro da transformação das nossas vidas, é o muro que vai ficar marcado neste território o que aconteceu como uma lição. Vamos ter a coragem de perguntar para cada menino, para cada menina, para cada jovem, para cada homem, o que está acontecendo?”
A ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, enfatizou a urgência do combate ao feminicídio, alertando para a alarmante estatística de mulheres assassinadas diariamente. “O que nós estamos fazendo aqui é um ato em defesa da vida, um ato em defesa da dignidade de todas as mulheres. A gente tem o assassinato de quatro mulheres por dia. São cerca de 1.500 mulheres que são assassinadas a cada ano e isso é algo que precisa ser combatido por todas as pessoas, por toda a sociedade, em todos os lugares, em todos os momentos”, declarou.
Lúcia Aparecida da Silva, mãe de Tainara, proferiu um emocionante depoimento, expressando a profunda dor da perda e a brutalidade do crime. “Ela era uma jovem cheia de vida que foi tirada de mim de um jeito que vocês mesmos viram, por um monstro. Foi atropelada, arrastada, presa embaixo de um carro, parecendo um saco de lixo, um animal. Perdeu as duas pernas, ficou sem a pele das costas, sem o glúteo. Gente, isso [o agressor] não é um ser humano”, desabafou.