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A recente proibição das bets no Brasil trouxe alívio para pessoas como Kaio, de 42 anos, que perdeu bens e emprego devido ao vício em jogos online. O impacto dessas plataformas gerou uma crise sem precedentes na saúde mental e financeira de milhares de cidadãos em todo o país.
Isolado em um alojamento no interior de Goiás e temendo agiotas, Kaio relatou que sua rotina mudou drasticamente nos últimos seis anos. Para tentar recuperar o controle da própria vida, ele busca tratamento especializado em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps), onde realiza terapia e faz uso de medicação diária.
Regulamentação tardia e impactos
Autorizadas inicialmente em 2018, as plataformas operaram por anos sem fiscalização rígida até a regulamentação em dezembro de 2023. Especialistas apontam que a falta de regras permitiu propagandas agressivas voltadas a públicos vulneráveis, prometendo falsas facilidades de renda extra.
Dados do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) revelam que as famílias brasileiras perderam bilhões de reais para as apostas. Além disso, o envolvimento precoce de adolescentes acendeu um alerta vermelho entre educadores e profissionais da saúde mental sobre os riscos do vício.
Apoio e novas diretrizes
Diante do avanço dos casos de dependência e de ideação suicida associados às dívidas, o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Ministério da Saúde intensificaram o suporte aos apostadores. A meta é oferecer acolhimento e tratamento psicológico adequado para mitigar os danos provocados pela facilidade de acesso aos jogos.