A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, revelou nesta sexta-feira (10) que um grupo de investidores apresentou uma oferta de R$ 15 bilhões para adquirir parte dos ativos do Banco Master que foram incorporados pelo Banco de Brasília (BRB), em meio à turbulência financeira que afeta a instituição.

Conforme informado pelo governo local, a transação ainda necessita da aprovação técnica e regulatória do Banco Central (BC). Em comunicado oficial, o governo do Distrito Federal (GDF) assegurou que a negociação não utilizará fundos públicos nem impactará as finanças do banco, enfatizando que o objetivo é "salvaguardar os interesses do DF".

"A governadora Celina Leão ressalta que o interesse demonstrado por investidores competentes valida a credibilidade do Banco de Brasília", destacou o GDF em sua nota.

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A proposta surge em um contexto de abalo na confiança em relação ao banco estatal, em decorrência de perdas financeiras associadas à aquisição de expressivas carteiras de crédito e ativos de difícil negociação, anteriormente pertencentes ao Banco Master.

Investigações da Polícia Federal apuram indícios de fraude na compra de aproximadamente R$ 12,2 bilhões em créditos do banco. Celina Leão ocupava o cargo de vice-governadora do DF durante a efetivação dessa negociação. Ela assumiu a chefia do Executivo em 30 de outubro, após Ibaneis Rocha deixar a posição para se candidatar ao Senado nas eleições de outubro.

O BRB chegou a cogitar a aquisição integral do Master, porém o Banco Central vetou a operação. Posteriormente, o BC interveio no Master, decretando sua liquidação e encaminhando as suspeitas de irregularidades financeiras à Polícia Federal para investigação.

Estrutura da proposta

De acordo com o GDF, o plano proposto pelos investidores contempla o pagamento de R$ 4 bilhões à vista para o BRB, com os R$ 11 bilhões restantes a serem pagos através de instrumentos financeiros vinculados aos ativos em questão.

Contudo, os detalhes específicos desses instrumentos financeiros não foram divulgados.

Apesar do anúncio feito pelo governo, diversos aspectos cruciais permanecem sem esclarecimento. Não foram informados:

  • A identidade dos investidores que compõem o fundo proponente;
  • A lista exata dos ativos que seriam incluídos na transação;
  • Se haverá algum deságio em relação ao valor total estimado dos ativos;
  • Como será formalizado o pagamento dos R$ 11 bilhões remanescentes;
  • A necessidade de aprovação por parte da Câmara Legislativa do DF.

Crise no BRB

A potencial venda desses ativos ocorre após a aquisição, pelo BRB, de carteiras de crédito do Banco Master, uma operação que resultou em uma significativa desvalorização do patrimônio. O banco estima a necessidade de provisionar (reservar) cerca de R$ 8,8 bilhões, embora uma auditoria forense independente tenha indicado um valor de R$ 13 bilhões.

O próprio BRB avalia que os ativos adquiridos do Master considerados em bom estado somam R$ 21,9 bilhões.

Próximos passos

A proposta será formalmente submetida ao Banco Central (BC), órgão responsável por avaliar a viabilidade da operação. Nas últimas semanas, a governadora e o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, estiveram reunidos com investidores e representantes do setor financeiro em São Paulo.

Na manhã desta quinta-feira (9), Celina Leão se encontrou com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, para apresentar o plano de recuperação do banco. A governadora não forneceu detalhes sobre o encontro, limitando-se a descrevê-lo como uma reunião de caráter técnico e institucional.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil