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O inverno no Hemisfério Sul teve seu início oficial às 5h24 deste domingo (21), marcando o período de dias mais curtos e, tradicionalmente, temperaturas mais baixas. Contudo, a estação deste ano no Brasil será notavelmente influenciada pelo fenômeno El Niño, que promete elevar as temperaturas em várias regiões e intensificar as chuvas no Sul.
A Agência dos Estados Unidos para Oceanos e Atmosfera (Noaa) confirmou o início do El Niño, um evento climático que impactará diretamente o padrão meteorológico brasileiro. Este fenômeno é o principal responsável pela expectativa de um inverno com temperaturas acima da média em grande parte do país.
Conhecido como 'O Menino' em espanhol, o El Niño é caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais na região equatorial do Oceano Pacífico. Seu nome peculiar foi atribuído por pescadores do Peru e do Equador, que associaram o aquecimento das águas à época do Natal, em referência ao Niño Jesus.
Conforme explica Melquizedek Rafael Duarte da Silva, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), 'podemos não experimentar um inverno com a intensidade de frio que já tivemos em anos anteriores'.
Silva detalha que o El Niño estabelece um bloqueio atmosférico, particularmente na proximidade de São Paulo, impedindo que as frentes frias avancem significativamente em direção às regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.
Adicionalmente às temperaturas elevadas nessas áreas, o fenômeno também pode ser um catalisador para um aumento no volume de chuvas.
Especificamente na região Sul, o El Niño potencializa a ocorrência de precipitações, com risco de eventos extremos de chuva concentrada em curtos períodos. 'O inverno já é naturalmente chuvoso no Sul, e com os efeitos adicionais do El Niño, essa situação pode se agravar consideravelmente', alerta o meteorologista Silva.
Previsões mais difíceis
Apesar das projeções, a exata dimensão dos efeitos do El Niño e de outros fenômenos climáticos é complexa de ser antecipada com grande margem. O meteorologista ressalta que o aquecimento global e as mudanças climáticas tornam as previsões de longo prazo, com meses de antecedência, cada vez mais desafiadoras, inclusive no que tange à duração precisa desses eventos.
Silva exemplifica: 'Períodos de temperaturas mais elevadas, que antes duravam dois ou três meses, agora podem se estender por quatro ou cinco meses. Essa alteração se aplica também aos ciclos de estiagem e de chuvas, modificando significativamente a dinâmica da previsão climática de longo prazo'.
O que define o inverno?
O inverno representa um fenômeno astronômico, caracterizado pelo menor recebimento de radiação solar em uma porção específica da Terra. No Hemisfério Sul, onde o Brasil se localiza, a incidência de luz solar é reduzida, enquanto o Hemisfério Norte, em seu período de verão, experimenta maior radiação.
Devido à sua vasta extensão territorial, o Brasil vivencia o inverno de formas distintas, conforme a localização geográfica. Em Chuí (RS), a cidade mais austral do país, os dias de inverno contam com menos de 10 horas de luz, com o Sol nascendo por volta das 7h30 e se pondo às 17h30.
Em contraste, Macapá, situada precisamente na linha do Equador, não apresenta estações do ano tão bem definidas. Lá, o nascer do Sol ocorre aproximadamente às 6h15 e o pôr do Sol às 18h15, horários que se mantêm quase constantes ao longo de todo o ano, com variações mínimas.