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A projeção do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve como referência oficial para a inflação no Brasil, foi elevada de 4,36% para 4,71% neste ano.
Essa atualização consta no Boletim Focus desta segunda-feira (13), uma pesquisa publicada semanalmente pelo Banco Central (BC) e que compila as expectativas de diversas instituições financeiras para os principais indicadores econômicos do país.
Em decorrência das tensões geopolíticas decorrentes da guerra no Oriente Médio, a previsão inflacionária para o corrente ano foi aumentada pela quinta semana consecutiva, ultrapassando o teto da meta estabelecida pelo BC.
A meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, o que estabelece um intervalo entre 1,5% e 4,5%.
Em março, o IPCA registrou uma alta de 0,88%, impulsionado principalmente pelos setores de transportes e alimentação, contra 0,7% observado em fevereiro. O acumulado de 12 meses para o IPCA atingiu 4,14%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para o ano de 2027, a expectativa de inflação subiu de 3,85% para 3,91%. As projeções para 2028 e 2029 indicam taxas de 3,6% e 3,5%, respectivamente.
Taxa Selic
Para atingir a meta de inflação, o Banco Central utiliza a taxa básica de juros, a Selic, como principal ferramenta. Atualmente, a taxa está em 14,75% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Na reunião mais recente, o colegiado decidiu, por unanimidade, reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual. Antes da escalada do conflito no Irã, a expectativa predominante apontava para um corte de 0,5 ponto.
A Selic esteve em 15% ao ano, seu nível mais alto desde julho de 2006, quando atingiu 15,25% anuais. Entre setembro de 2024 e junho de 2025, a taxa passou por sete elevações consecutivas, mas permaneceu inalterada nas quatro reuniões subsequentes.
Após um período prolongado de manutenção da taxa, havia sinais de um ciclo de cortes. No entanto, diante das incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio, o BC não descarta a possibilidade de rever o ritmo de redução, caso se mostre necessário.
O próximo encontro do Copom para a definição da Selic ocorrerá nos dias 28 e 29 de abril.
Nesta edição do Boletim Focus, a estimativa dos analistas de mercado para a taxa básica de juros até o final de 2026 manteve-se em 12,5% ao ano. Para 2027 e 2028, a projeção é de uma redução da Selic para 10,5% e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, espera-se que a taxa atinja 9,75% anuais.
Quando o Copom eleva a Selic, o objetivo é moderar a demanda aquecida, o que impacta os preços ao tornar o crédito mais caro e incentivar a poupança. Taxas de juros mais altas também podem restringir o crescimento econômico.
As instituições financeiras consideram outros elementos ao determinar os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, margem de lucro e custos operacionais. Quando a Taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito se torne mais acessível, estimulando a produção e o consumo, o que pode diminuir o controle sobre a inflação e impulsionar a atividade econômica.
PIB e câmbio
Nesta divulgação do boletim do Banco Central, a expectativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira neste ano permaneceu em 1,85%.
Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, que representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos em um país) ficou em 1,8%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro estima uma expansão do PIB de 2% em ambos os anos.
Em 2025, a economia brasileira apresentou um crescimento de 2,3%, segundo o IBGE. Com expansão em todos os setores, e com destaque para o agronegócio, o resultado marca o quinto ano consecutivo de crescimento.
No Boletim Focus desta semana, a previsão para a cotação do dólar ao final deste ano é de R$ 5,37. Para o fim de 2027, estima-se que a moeda norte-americana seja cotada a R$ 5,40.