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A desinformação em saúde atinge patamares alarmantes na internet brasileira, conforme aponta um estudo recente divulgado pela Agência Lupa. O levantamento indica que 87,3% dos materiais virais analisados entre março de 2017 e junho de 2024 eram falsos, totalizando 667 conteúdos inverídicos em uma amostra de 764 publicações.
Batizada de Raio-X da Desinformação em Saúde, a pesquisa contou com o apoio da Afya. O documento aponta uma média de 72 falsidades por ano. Isso equivale a cerca de seis casos mensais de boatos que ganham alta velocidade de propagação e forte engajamento nas redes sociais.
O impacto da pandemia e estratégias
O volume de boatos disparou durante a crise sanitária. Em 2020 e 2021, a Lupa analisou dez vezes mais materiais do que nos três anos anteriores. Especialistas apontam que as mentiras frequentemente utilizam estratégias como a falsa autoridade médica para enganar o público.
Segundo a fundadora da Agência Lupa, Cristina Tardáguila, o maior obstáculo é o uso indevido da linguagem técnica para simular legitimidade. Já o vice-presidente da Afya, Gustavo Meirelles, reforça que os médicos precisam orientar pacientes contra o excesso de dados sem respaldo científico.
Vacinas e canais de circulação
As discussões sobre imunizantes mantêm alta incidência de boatos. Das 244 alegações sobre vacinas investigadas, 86,9% receberam classificação de falsas. O WhatsApp liderou as ocorrências de circulação mapeadas, aparecendo em mais de 70% das checagens do período.