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Dados divulgados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) revelam que o Brasil registrou um aumento nos conflitos no campo durante o primeiro semestre de 2026, somando 841 ocorrências. Apesar da alta nas disputas territoriais impulsionada pela financeirização da terra, o total de assassinatos em áreas rurais apresentou queda significativa no período, caindo de 27 para seis casos.
O estado do Maranhão liderou o ranking nacional de violência agrária no primeiro semestre, contabilizando 156 episódios. Na sequência das regiões mais afetadas aparecem o Pará, com 90 casos, a Bahia, com 85, além de Rondônia e Amazonas, ambos com 63 registros cada.
A coordenadora nacional da CPT, Cecília Gomes, ressalta que o espaço rural brasileiro permanece distante de uma convivência pacífica. Segundo a entidade, a intensificação da corrida por terras e minérios raros por fundos de investimento tem agravado as pressões sobre comunidades tradicionais e camponesas.
Disputas por terra e recursos naturais
A maior parte das ocorrências envolveu disputas diretas por terra, somando 711 casos. Em seguida, surgem os conflitos relacionados ao acesso à água, com 100 registros, e episódios de trabalho escravo rural, com 30 ocorrências identificadas pelos agentes de campo.
Entre as agressões mais recorrentes em disputas territoriais, destaca-se a contaminação por agrotóxicos, que saltou de 98 para 169 episódios. Casos de invasão de propriedades, desmatamento ilegal e ameaças de despejo judicial também tiveram expressivo crescimento durante os seis primeiros meses do ano.
Disputas hídricas e garimpo ilegal
Os embates pela água se espalharam por 20 estados brasileiros, saltando de 47 para 100 registros em comparação com o mesmo período do ano anterior. O Pará liderou as estatísticas com 16 casos, impulsionados pela resistência de povos indígenas contra a privatização de rios e avanço do garimpo.
Por outro lado, o trabalho escravo rural registrou forte redução, passando de 101 para 30 ocorrências, sendo o estado de São Paulo o líder em resgates. Contudo, a contaminação por minérios decorrente do garimpo ilegal explodiu em locais como Jacareacanga (PA), afetando gravemente o povo Munduruku.
Mobilizações e resistência no campo
Como resposta às violações, foram contabilizadas 284 manifestações e atos públicos promovidos por trabalhadores rurais e indígenas. A CPT enfatiza que atua na documentação e no apoio direto a essas populações, buscando subsidiar políticas públicas para a proteção dos territórios.