A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência deu sinal verde para a criação de um programa nacional voltado ao empreendedorismo de pais e responsáveis por crianças e adolescentes com deficiência. A iniciativa visa proporcionar autonomia financeira e geração de renda para essas famílias.

Denominado Programa Nacional de Estímulo ao Empreendedorismo de Genitores e Responsáveis de Crianças e Adolescentes com Deficiência, Transtornos do Neurodesenvolvimento ou Doenças Crônicas (PRO-PcD), ele abrangerá ações de capacitação, facilitação no acesso a linhas de crédito, desburocratização de negócios e a formação de uma rede de apoio.

Poderão integrar o PRO-PcD microempreendedores individuais (MEI), microempresas e empresas de pequeno porte que sejam gerenciadas por pais, mães ou outros responsáveis legais de crianças ou adolescentes com deficiência.

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Para aderir ao programa, os interessados deverão apresentar inscrição no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) ou comprovar renda familiar compatível; um laudo médico emitido pelo Sistema Único de Saúde (SUS); e um plano simplificado de desenvolvimento para o empreendimento.

Alterações no texto original

O texto que obteve aprovação é um substitutivo proposto pelo relator na Comissão de Indústria, Comércio e Serviços, deputado Beto Richa (PSDB-PR). Ele ampliou significativamente o alcance da proposta inicial – o Projeto de Lei 4037/25, de autoria do deputado Marcos Tavares (PDT-RJ). Entre as modificações, o relator estendeu a participação no programa para incluir não apenas mães, mas também pais e quaisquer responsáveis legais, o que levou à renomeação da iniciativa para PRO-PcD.

Richa também estabeleceu que as linhas de crédito destinadas ao programa deverão seguir as diretrizes aplicadas a microempresas, ao mesmo tempo em que preservou a autonomia das instituições bancárias na decisão sobre a concessão dos empréstimos.

Conforme o projeto, o governo federal terá a prerrogativa de criar linhas de crédito exclusivas para os participantes do PRO-PcD. Entre as modalidades possíveis, destacam-se a utilização de programas já existentes, como o Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO) e o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), com a possibilidade de garantia de até 80%; a oferta de microcrédito com período de carência de até 12 meses; e a equalização de juros, mecanismo em que o governo subsidia parte dos custos do empréstimo para o beneficiário.

O texto ainda contempla vantagens como bonificações para quem quitar as parcelas em dia, a flexibilidade de transferir o empréstimo para outras instituições financeiras e o fomento a parcerias com fintechs e cooperativas de crédito.

O deputado Duarte Jr. (PSB-MA), relator do projeto na Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, argumentou a favor da ampliação do público-alvo, visando evitar qualquer tipo de discriminação. Ele enfatizou que a proposta reconhece a diversidade dos arranjos familiares e a significativa carga enfrentada por aqueles que se dedicam ao cuidado de pessoas com deficiência.

"É crucial que o programa contemple não somente as mães, mas também os pais biológicos, os pais e mães adotivos e outros responsáveis legais, como avós, tios ou tutores, pelas crianças e adolescentes com deficiência", declarou Duarte Jr. em seu parecer.

Rede de apoio e visibilidade

A proposta também contempla a criação da rede de cuidado "Tempo para Empreender" (TPE), por meio da qual o governo federal disponibilizará horas de assistência para crianças e adolescentes com deficiência. Esse suporte permitirá que os responsáveis participem de cursos, feiras ou dediquem mais tempo à produção e à gestão de seus negócios.

Adicionalmente, o projeto institui a Vitrine Digital PRO-PcD, uma plataforma destinada a divulgar os produtos e serviços dos participantes, e as Salas do Empreendedor Inclusivas, que oferecerão orientação especializada em temas como tributação, gestão empresarial e exportação.

A adesão ao programa será voluntária, e os custos associados serão custeados pelo governo federal.

Próximas etapas legislativas

A proposta seguirá para análise, em caráter conclusivo, nas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para que se torne lei, o texto precisará ser aprovado tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado Federal.

Entenda o processo de tramitação de projetos de lei

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Câmara