A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dedicada à apuração do Crime Organizado no Senado aprovou, nesta quarta-feira (11), mais de vinte requerimentos que incluem quebras de sigilo, solicitações de informações e convocações. O foco recaiu sobre a estrutura financeira do Primeiro Comando da Capital (PCC) atuante na Faria Lima e sobre o grupo “A Turma”, associado a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

“A Turma” é o nome de um coletivo de comunicação vinculado a Vorcaro, utilizado para monitorar e exercer pressão sobre os oponentes do banqueiro, e foi um elemento central na decisão que culminou na prisão do dono do Master.

Além disso, a comissão determinou a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico de Luiz Phillipi Mourão, alcunhado de “Sicário”, um parceiro de Vorcaro que cometeu suicídio após ser detido pela Polícia Federal (PF) na semana passada. A CPI também solicitou informações sobre o caso de “Sicário” ao Supremo Tribunal Federal (STF).

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Fabiano Campos Zettel, cunhado do proprietário do Banco Master, foi convocado pela CPI após a aprovação de requerimentos apresentados por senadores.

O senador Humberto Costa (PT-PE) justificou a medida, afirmando que “investigações no âmbito da Operação Carbono Oculto indicam que Fabiano Zettel possui conexões financeiras diretas com a Reag Investimentos e o Banco Master, instituições identificadas como braços financeiros do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Faria Lima”.

Banco Central

A CPI aprovou a convocação de Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização do Banco Central (BC), e de Bellini Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, ambos previamente afastados de suas funções.

Ao requerer a presença dos ex-funcionários do BC, o senador Humberto Costa mencionou que um relatório da PF sugere que eles teriam atuado como consultores informais de Daniel Vorcaro.

Costa explicou que a atuação consistia em “facilitar a operação de compra do então Banco Máxima (posteriormente renomeado como Banco Master) e divulgar informações sigilosas para o banqueiro, a fim de municiá-lo a respeito das operações realizadas pelo Banco Central”. A comissão também quebrou os sigilos da empresa Varajo Consultoria, ligada a Vorcaro, que supostamente ofereceu pagamento a um servidor do BC. O líder da companhia, Leonardo Augusto Furtado Palhares, também foi convocado pela CPI.

Faria Lima

Empresários e indivíduos sob investigação por associação com a lavagem de dinheiro do PCC na Faria Lima, polo financeiro da capital paulista, tiveram seus sigilos bancário, fiscal e telefônico quebrados.

Uma série de requerimentos foi aprovada com a quebra dos sigilos de pessoas investigadas pela Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que desvendou um esquema de lavagem de dinheiro do PCC.

Entre os que tiveram os sigilos quebrados está Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, apontado como responsável pela gestão de distribuidoras de combustíveis que supostamente lavavam dinheiro para a organização criminosa paulista.

O senador Humberto Costa detalhou que “o esquema, que movimentou R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, utilizava uma vasta rede de postos de combustíveis e fundos de investimento para ocultar a origem ilícita dos recursos, demonstrando uma atuação sofisticada no mercado financeiro, com epicentro na Avenida Faria Lima, em São Paulo”.

Outro investigado cujos sigilos foram quebrados é Mohamad Hussein Mourad, considerado um dos principais operadores do esquema de lavagem de dinheiro do PCC, com supostas conexões com o Banco Master.

Francisco Maximiano, proprietário da Precisa Medicamentos, e Danilo Berndt Trent, apontado como “sócio oculto” da Precisa, também tiveram seus sigilos quebrados pela CPI. Ambos são empresários ligados ao esquema revelado pela Carbono Oculto. A Precisa Medicamentos já havia sido alvo de investigações sobre corrupção na aquisição de vacinas durante a pandemia.

Humberto Costa acrescentou que “as empresas de Francisco Maximiano foram utilizadas como veículos para a lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) e para a realização de fraudes bilionárias contra o sistema financeiro e o patrimônio público”.

“A Turma”

Outro ponto central da CPI nesta quarta-feira foram os indivíduos envolvidos no grupo “A Turma”, empregado para monitorar e intimidar adversários do banqueiro Daniel Vorcaro, que teria liderado um esquema de fraudes no mercado financeiro que pode alcançar a cifra de R$ 50 bilhões.

O grupo chegou a planejar a simulação de um assalto com o objetivo de “quebrar todos os dentes” do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, que teria publicado reportagens que desagradaram Vorcaro.

A CPI aprovou a convocação de Ana Cláudia Queiroz de Paiva, que supostamente participava dos pagamentos para financiar as atividades do grupo “A Turma”.

A comissão também autorizou a quebra dos sigilos de Marilson Roseno da Silva, um escrivão aposentado da Polícia Federal que foi detido preventivamente como um dos principais articuladores do grupo.

A CPI quebrou os sigilos de outras empresas conectadas ao Banco Master, como a King Participações Imobiliárias e a King Motors Locação de Veículos, além de determinar a quebra de sigilo de empresas do proprietário de uma aeronave utilizada para transportar aliados de Vorcaro. A comissão solicitou ainda a lista dos passageiros beneficiados.

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), justificou que “informações divulgadas pela imprensa e indícios colhidos no âmbito da Operação Compliance Zero sugerem que altas autoridades da República teriam se utilizado de aeronaves particulares”.

Por fim, o empresário Vladimir Timerman, que há anos denunciava as irregularidades no Banco Master, foi convidado a prestar depoimento.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil