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A equipe de defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, acionista do Banco Master, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito para investigar o vazamento de dados extraídos de seu telefone celular. A preocupação central reside na divulgação de conversas de caráter íntimo e de supostos diálogos com autoridades, incluindo um ministro do STF.
Em comunicado oficial, a defesa alega que as conversas estão sendo disseminadas para múltiplos veículos de imprensa, possivelmente de forma editada e descontextualizada. Os advogados ressaltam que nem mesmo eles tiveram acesso integral ao material que tem sido veiculado pela mídia.
“[Solicitamos] a instauração de um inquérito para determinar a origem dos vazamentos e que a polícia apresente a lista de todas as pessoas que tiveram acesso ao conteúdo dos dispositivos apreendidos”, declarou a representação legal do empresário.
Segundo a defesa, o objetivo não é investigar os jornalistas que receberam as informações, mas sim apurar a responsabilidade de quem detinha o dever legal de proteger o material, que permanece sob sigilo judicial.
Daniel Vorcaro, do Banco Master, foi detido pela PF.
Autoridades
Entre as comunicações divulgadas pela imprensa, destacam-se trocas de mensagens atribuídas ao banqueiro e ao ministro Alexandre de Moraes. Imagens dessas conversas foram publicadas pelo jornal O Globo.
Em resposta ao jornal, Moraes negou ter recebido tais mensagens, classificando a divulgação como uma “ilação mentirosa” com o intuito de atacar o STF.
Em diálogos que teriam ocorrido com sua ex-companheira, Martha Graeff, Vorcaro menciona um alegado contato próximo com parlamentares, políticos e membros do Judiciário, com os quais teria discutido assuntos relacionados ao Banco Master, inclusive a negociação para venda da instituição ao Banco Regional de Brasília (BRB).
A defesa de Vorcaro informou que a cópia dos dados dos aparelhos do banqueiro foi entregue aos advogados em 3 de março. “O HD foi imediatamente lacrado na presença da autoridade policial, dos advogados e de um tabelião, a fim de preservar o sigilo das informações”, acrescentou.
“Espera-se que as autoridades que falharam em seu dever funcional de manter o sigilo sejam identificadas e responsabilizadas por atos que expõem indivíduos sem ligação com a investigação e que também prejudicam os esforços para esclarecer os fatos”, concluiu a defesa.
Histórico
Daniel Vorcaro foi preso novamente na manhã de quarta-feira (4), em uma ação da Polícia Federal, marcando a terceira fase da Operação Compliance Zero.
No ano anterior, o empresário já havia sido alvo de um mandado de prisão dentro da mesma operação, mas obteve liberdade provisória mediante o uso de tornozeleira eletrônica.
A nova detenção baseou-se em mensagens encontradas no celular do banqueiro, apreendido na primeira etapa da operação. Nessas mensagens, Vorcaro supostamente ameaçava jornalistas e indivíduos que teriam contrariado seus interesses.
A Operação Compliance Zero investiga fraudes milionárias no Banco Master, que teriam resultado em um prejuízo de até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), destinado ao ressarcimento de investidores.