O Observatório Nacional dos Direitos Humanos (ObservaDH) divulgou nesta quinta-feira (25), Dia Nacional do Imigrante, dados que revelam um recorde histórico na movimentação de pessoas pelas fronteiras brasileiras em 2025. Mais de 36,4 milhões de indivíduos transitaram, representando um aumento significativo de 15,6% em comparação com 2024, consolidando o maior trânsito já registrado na série histórica.

Essa circulação abrange tanto entradas quanto saídas do país, englobando brasileiros e estrangeiros com diferentes propósitos, como migrantes, residentes temporários e turistas. Segundo o ObservaDH, a maior parte dessa intensa movimentação está ligada a deslocamentos de brasileiros, turismo e viagens de curta duração, indicando que o fluxo vai muito além da imigração permanente.

Do total de movimentações registradas no ano passado, 17,2 milhões foram atribuídas a brasileiros. Logo em seguida, os turistas somaram 14,7 milhões de deslocamentos, destacando a relevância dessas duas categorias no cenário fronteiriço.

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As demais categorias apresentaram proporções consideravelmente menores. Cerca de 2,4 milhões de registros corresponderam a trânsito, referindo-se a passagens pelo território nacional. Já os temporários e residentes somaram pouco mais de 1 milhão de registros cada.

O ObservaDH ressalta que o número relativamente baixo de registros nas categorias “temporário” e “residente”, em contraste com o volume de brasileiros e turistas, sugere que a maior parte da movimentação fronteiriça não se relaciona a processos migratórios de caráter permanente, mas sim a uma circulação internacional cotidiana, temporária ou de curta duração.

O levantamento do ObservaDH fundamenta-se em diversas fontes, incluindo o Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra)/DataMigra, o Sistema de Registro Nacional Migratório (SisMigra), o Sistema de Tráfego Internacional (STI) da Polícia Federal, solicitações de refúgio e registros administrativos do programa “Aqui é Brasil”, coordenado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Migrantes

Nesta quinta-feira, o ObservaDH ampliou sua plataforma, incorporando novas narrativas e painéis temáticos focados em migração, refúgio, apatridia e repatriação. Essa atualização permite a sistematização de novos dados e a apresentação de séries históricas e recortes que subsidiarão a formulação de políticas públicas mais eficazes.

Os dados revelam, por exemplo, a trajetória anual de entrada e registro de migrantes no Brasil entre 2010 e 2025, além dos processos de regularização migratória no país.

No que tange à entrada de pessoas no território brasileiro pelos postos de controle migratório, o ObservaDH aponta uma retomada dos fluxos migratórios a partir de 2021, após a queda observada em 2020 devido à pandemia de Covid-19.

Em 2023, esse número alcançou um recorde de 190,5 mil pessoas. No ano passado, o indicador teve uma leve redução, totalizando 157,3 mil entradas.

Os registros migratórios, por sua vez, demonstraram uma ampliação da regularização e maior formalização da permanência de estrangeiros no Brasil.

O maior valor da série foi registrado em 2023, com 202.044 pessoas regularizadas. Em 2024, esse número apresentou uma pequena queda, somando 199.646 indivíduos.

Refúgios

De acordo com os dados do Sistema de Tráfego Internacional (STI), o volume de solicitações de refúgio manteve-se relativamente baixo e estável até o início dos anos 2010, com registros anuais geralmente inferiores a mil pedidos.

Entre 2013 e 2015, houve um aumento significativo, passando de 6.810 solicitações em 2013 para 15.906 em 2015, impulsionado principalmente pela chegada de haitianos, sírios e outros grupos afetados por crises humanitárias internacionais. O pico desses pedidos ocorreu entre 2018 e 2019, atingindo 79.831 e 82.552 pedidos, respectivamente.

No ano passado, o Brasil recebeu 75,6 mil novos pedidos de reconhecimento da condição de refugiado. Com isso, o país soma atualmente 165.774 pessoas com status de refugiado reconhecido. Desde 2010, o total acumulado de solicitações de reconhecimento dessa condição já alcança 551.072.

Fernanda da Rosa Becker, coordenadora-geral de Promoção dos Direitos das Pessoas Migrantes, Refugiadas e Apátridas do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, enfatiza que o Brasil se consolida como uma nação acolhedora, caracterizada por fluxos migratórios cada vez mais diversos em termos de nacionalidades, perfis e motivações.

“Esse cenário exige informações qualificadas que permitam compreender as transformações da mobilidade humana no país. Mais do que resposta emergencial, a política migratória precisa ser tratada como política permanente de Estado, o que demanda monitoramento contínuo e capacidade de adaptação às diferentes dinâmicas de migração e refúgio”, explica Becker.

Conforme o Relatório Anual de Política Migratória no Brasil de 2025, elaborado pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), mais de 2 milhões de pessoas migrantes, refugiadas e solicitantes de refúgio compõem o atual cenário migratório brasileiro.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil