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Após o encerramento do pleito presidencial, comunidades de violência contra indígenas ganharam repercussão no Mato Grosso do Sul com relatos graves feitos por nativos da etnia Guarani Kaiowá, incluindo investidas letais e intimidações relacionadas ao abastecimento hídrico.
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) informou que pelo menos cinco ocorrências de homicídios na área desde o sábado anterior estão sob apuração pelas autoridades competentes.
Matias Benno Rempel, coordenador do Cimi no estado, apontou que houve episódios de coerção durante o período de votação. Veículos circulando pelas terras tradicionais e agressões físicas foram empregados para gerar medo e desestimular a participação nas urnas.
Apesar da atenção recente da mídia, o especialista pontua que a hostilidade no campo é contínua e estrutural, integrando a atuação histórica de milícias locais contra os Guarani Kaiowá.
Investigações e órgãos envolvidos
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas, o Ministério dos Povos Indígenas e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil acionaram a Polícia Federal e o Ministério Público Federal para apurar os fatos.
Entre os episódios relatados consta um atropelamento intencional registrado no município de Coronel Sapucaia, na linha de fronteira com o Paraguai, situada no sudoeste sul-mato-grossense.
Dados compilados pela Apib indicam que registros de violência letal contra essa população na região mantêm um histórico preocupante nos últimos anos.
Ameaça de contaminação hídrica
Outra frente de apuração do Ministério Público Federal refere-se a um áudio atribuído a um servidor público municipal de Tacuru, sugerindo a contaminação da água consumida pelos moradores locais.
Diante da vulnerabilidade no acesso a recursos hídricos na área, muitas famílias interromperam o consumo da água fornecida por caminhões-pipa após a circulação das gravações.
O órgão ministerial determinou um prazo para que a prefeitura local preste esclarecimentos sobre a autenticidade do material e a identidade do autor das ameaças.