A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) divulgou na terça-feira (7) um balanço que aponta um aumento no número de acidentes envolvendo a rede elétrica no Brasil em 2025. Foram registrados 703 casos no ano passado, superando os 685 incidentes de 2024. Apesar da elevação nas ocorrências, a entidade observou uma leve redução nos óbitos, que caíram de 257 em 2024 para 252 em 2025.

A construção civil continua sendo o setor com o maior número de ocorrências no país, segundo a pesquisa. Em 2025, 227 incidentes foram associados a obras, reformas e serviços de manutenção predial, resultando em 68 fatalidades.

Cristina Garambone, diretora de Comunicação e Sustentabilidade da Abradee, enfatizou a importância da cautela da população ao lidar com a rede elétrica. Ela ressaltou que “por trás de cada acidente, há a vida de uma pessoa e uma família impactada”, destacando a dimensão humana desses eventos.

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Garambone apontou que muitos dos acidentes fatais ocorrem por distração ou pela tentativa de “dar um jeitinho”, especialmente em obras informais ou dentro das próprias residências, onde a percepção de risco pode ser menor.

A Abradee reforça que a manipulação da rede elétrica deve ser realizada exclusivamente por profissionais qualificados, a fim de garantir a segurança e evitar incidentes.

Lesões graves e outros riscos

Apesar da diminuição no número de óbitos em 2025, Cristina Garambone alertou para a persistência de lesões graves. Foram registradas 241 ocorrências de lesões sérias, incluindo mutilações, além de 210 vítimas com lesões leves.

A meta da associação é ambiciosa: “A gente quer aumentar a consciência e diminuir esses números. A gente só vai ficar satisfeito quando tiver zero acidente”, afirmou a diretora, sublinhando o compromisso com a segurança.

A pesquisa também revelou um aumento significativo nos acidentes relacionados à operação de equipamentos próximos à rede elétrica. Em 2025, foram 66 registros, quase o dobro do ano anterior, envolvendo principalmente máquinas agrícolas e guindastes.

Outra preocupação são as ligações clandestinas, popularmente conhecidas como “gatos” ou “macacos” em algumas regiões. Essas práticas ilegais foram responsáveis por 30 ocorrências e 15 mortes.

Panorama regional dos acidentes

A Região Sudeste liderou o ranking de acidentes em 2025, com 243 ocorrências, resultando em 78 mortes, 91 lesões graves e 74 lesões leves. A construção civil foi apontada como uma das principais causas de incidentes na área.

Em outras regiões, os números também são expressivos: o Nordeste registrou 187 acidentes, com 67 óbitos; o Norte contabilizou 122 ocorrências e 50 mortes; o Sul teve 81 acidentes e 31 fatalidades; e o Centro-Oeste somou 70 incidentes, com 26 mortes.

No Norte, as ocorrências foram predominantemente associadas a atividades próximas à rede elétrica e intervenções irregulares. No Sul, a construção e manutenção predial continuaram como fatores de risco. Já no Centro-Oeste, o destaque recaiu sobre operações com equipamentos e obras nas proximidades da fiação elétrica.

A diretora de Comunicação e Sustentabilidade da Abradee, Cristina Garambone, reiterou que a segurança é uma responsabilidade compartilhada por todos os envolvidos, incluindo distribuidoras, empresas, profissionais e a própria população.

Para alcançar o objetivo de zero acidente, Garambone defende uma mudança cultural, com a disseminação de informações e a adesão de toda a sociedade. “Só com a adesão de toda a sociedade é que a gente vai conseguir reduzir esses números”, concluiu.

Campanha de conscientização

Com o intuito de conscientizar a população sobre os riscos elétricos, a Abradee promove a 20ª Campanha Nacional de Segurança com a Rede Elétrica. A iniciativa, realizada em conjunto com suas 42 distribuidoras associadas, visa alertar sobre situações de perigo.

A campanha, que se estenderá até setembro, adota o tema “Energia liga. Segurança protege”. Em agosto, a ação ganhará reforço especial com o “Agosto Vermelho”, período dedicado a intensificar a atenção aos cuidados com a rede elétrica.

Esta mobilização envolve as 42 distribuidoras que, juntas, garantem o fornecimento de energia a 99,8% da população brasileira, atendendo cerca de 212 milhões de clientes.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil