O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, declarou nesta quinta-feira (2) que o Brasil está em uma corrida contra o tempo, intensificando a negociação com o governo dos Estados Unidos para prevenir a imposição de taxação adicional sobre os produtos brasileiros exportados para o mercado americano. A prioridade é salvaguardar o comércio bilateral.

Conforme ressaltado por Márcio Elias, a postura do governo brasileiro, sob a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, exige firmeza nas tratativas.

Ele citou a máxima de Lula: “Nunca abandone a mesa de negociação”, e complementou que "quem defende o multilateralismo, como o Brasil, tem que saber lutar contra as barreiras que são impostas".

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Márcio Elias, que assumiu a liderança da pasta em abril após a renúncia do vice-presidente Geraldo Alckmin, tornou-se uma figura central nas discussões com a delegação americana.

Nesta quinta-feira (2), o ministro participou de um encontro virtual com a Representação Comercial dos EUA (USTR), acompanhado por membros do Ministério das Relações Exteriores e da assessoria especial da Presidência da República.

Discussões sobre questões eleitoreiras

Após a reunião, em conversa com jornalistas, Márcio Elias expressou sua apreensão quanto à brevidade do prazo para a concretização de um acordo.

Ele enfatizou que "o tempo corre contra porque o prazo é 15 de julho" para o início da cobrança das tarifas, e que certas "questões poluem o debate" em andamento.

Ao ser questionado sobre a natureza dessas questões, o ministro apontou, sem nomear diretamente, para a atuação de membros da família do ex-presidente Jair Bolsonaro, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

Ele exemplificou com "a publicação por quem estava nos Estados Unidos, um ex-deputado federal, se dizendo autor, patrocinador do tarifaço. Ao mesmo tempo, alguém aqui no Brasil celebrando nas redes sociais o fato de ter sido imposto".

A alusão clara foi aos filhos do ex-presidente: o deputado cassado Eduardo Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência.

Na visão do ministro, embora essas ações não sejam “capazes de causar algum alvoroço”, elas “poluem o debate político ou colocam no debate, que é econômico e comercial, um componente político que não deveria estar”.

Ele reiterou que “não cabe na mesa de negociação da economia, do comércio bilateral, questões ideológicas, eleitoreiras, pessoalmente oportunistas, isso não tem cabimento”.

As declarações de Márcio Elias foram concedidas após sua participação no 1º Fórum Econômico da Transformação Ecológica Brasileira, evento organizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro.

Reuniões de alto nível e pautas discutidas

O compromisso com a reunião virtual com os americanos fez com que o ministro atrasasse sua fala no evento do BNDES. Segundo ele, este foi o quarto encontro de alto nível sobre o tema com o governo estrangeiro, somando-se a outras oito reuniões técnicas.

No que tange à reunião virtual desta quinta-feira, Márcio Elias detalhou que a pauta incluiu a cooperação entre as polícias brasileiras e americanas para “combate ao crime organizado transnacional, lavagem de dinheiro e a questão de imigração”.

Além disso, foram abordados tópicos como a atração de data centers (servidores digitais para processamento e armazenamento de dados) e a proteção de patentes. O ministro assegurou que “o Brasil já atua no padrão internacional” nesses quesitos.

Contexto da ameaça de tarifas e refutações

A medida da USTR para instituir a taxação sobre o Brasil, anunciada no começo de junho, decorre de uma investigação fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

A administração de Donald Trump havia imputado ao Brasil a prática de concorrência desleal no cenário comercial internacional, mencionando o Pix como um dos fatores que poderiam lesar empresas americanas. O Brasil, por sua vez, refutou veementemente essa acusação.

João Paulo Ribeiro Capobianco, ministro do Meio Ambiente e Mudança de Clima, presente no evento do BNDES, contestou outras justificativas para a taxação, como o desmatamento e o comércio ilegal de madeira.

Ele afirmou que o desmatamento encontra-se sob controle e que o país dispõe de um sistema de rastreamento eficaz para prevenir a exportação de madeira ilegal.

Capobianco garantiu que “o Ibama libera a exportação verificando toda essa cadeia de custódia, todo o processo regulamentado, registrado”.

Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, abordou a carta pública de Marco Rubio, secretário de Estado americano, ao pré-candidato Flávio Bolsonaro, na qual Rubio expressa gratidão pelo convite para integrar uma eventual equipe de transição governamental, caso haja vitória eleitoral em outubro.

Mercadante listou que tal colaboração envolveria “informações do Estado brasileiro, de estratégia, de desenvolvimento, da defesa, de tecnologia, da área de energia”.

Para ele, essa situação representa “uma afronta à soberania e aos interesses nacionais”.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil