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A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados deu aval a um projeto que concede ao pescador artesanal a possibilidade de realizar trabalho temporário durante o período de defeso – quando a pesca é suspensa para a reprodução das espécies – sem que isso acarrete a perda do seguro-defeso.
Conforme a proposta aprovada, o benefício será mantido desde que a remuneração proveniente dessa atividade extra não exceda o valor de um salário mínimo mensal. A legislação vigente, por outro lado, proíbe o recebimento do seguro-defeso caso o pescador esteja exercendo qualquer atividade remunerada.
A versão que recebeu aprovação é o substitutivo apresentado pelo relator, deputado Raimundo Costa (PSD-BA), referente ao Projeto de Lei 7144/25, de autoria do deputado Amom Mandel (Republicanos-AM).
Acesse a íntegra do parecer aprovadoIntegração com qualificação profissional
O relator optou por preservar a essência da proposta original, que visa integrar o seguro-defeso a programas públicos destinados à qualificação profissional e à diversificação de renda para os pescadores.
Durante o período de suspensão da pesca, o pescador artesanal terá a oportunidade de participar de cursos de formação, iniciativas de educação ambiental e capacitações voltadas para áreas como turismo e artesanato.
É importante ressaltar que a adesão a essas atividades será totalmente facultativa, não constituindo um requisito para o recebimento, manutenção ou renovação do seguro-defeso.
A efetivação dessas alterações dependerá de uma colaboração estreita entre a União, os estados e os municípios, sempre condicionada à disponibilidade de recursos.
Reconhecimento da realidade pesqueira
Conforme destacou o relator Raimundo Costa, a proposta busca reconhecer a realidade vivenciada pelas comunidades pesqueiras, onde é comum que muitos trabalhadores complementem sua renda por meio de atividades sazonais.
Raimundo Costa enfatizou que "a exceção proposta para o trabalho temporário serve para coibir o uso indevido do benefício por parte de indivíduos que, na prática, já se desvincularam da atividade pesqueira artesanal".
Próximas etapas do projeto
O texto seguirá para análise, em caráter conclusivo, por outras comissões importantes: a de Trabalho; a de Finanças e Tributação; e a de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Para que as mudanças se tornem lei, o projeto ainda necessita de aprovação tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal.
Entenda melhor a tramitação de projetos de lei