Nesta quarta-feira (17), o ministro Gilmar Mendes encaminhou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, uma proposta de súmula com o objetivo de estabelecer o entendimento da Corte sobre a aprovação de pautas-bomba pelo Congresso Nacional. A medida visa declarar a inconstitucionalidade de leis que concedem benefícios fiscais sem a devida compensação financeira.

Fundamentada em precedentes jurisprudenciais, a iniciativa busca solidificar a tese de que qualquer legislação que outorgue vantagens tributárias sem a correspondente contrapartida financeira fere a Constituição.

A elaboração da súmula ocorreu após uma reunião do ministro da Fazenda, Dario Durigan, com Gilmar Mendes e Edson Fachin, onde foi expressa a profunda preocupação com a aprovação de matérias legislativas de elevado impacto fiscal pelo Congresso.

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Esta súmula, uma tese jurídica de caráter vinculante, servirá como baliza para julgamentos de processos que envolvam aumento de despesas em todo o território nacional. Seu entendimento deverá ser observado em todos os atos normativos emanados pelos Três Poderes, abrangendo as esferas federal, estadual e municipal.

O texto proposto para a súmula é claro: "O art. 113 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias aplica‐se à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios, sendo inconstitucional a lei ou ato normativo que crie ou altere despesa obrigatória, conceda benefício fiscal ou implique renúncia de receita sem prévia estimativa de impacto orçamentário e financeiro, bem como sem a indicação das respectivas medidas compensatórias, nos termos da Lei de Responsabilidade Fiscal."

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A responsabilidade de pautar o julgamento dessa tese recai sobre o ministro Edson Fachin. A proposta, contudo, ainda será submetida à avaliação dos demais ministros do STF e poderá passar por modificações antes de sua aprovação final.

A relevância da súmula ganha destaque diante de recentes aprovações legislativas. Na semana anterior, o Senado Federal deu aval a uma medida classificada como "pauta-bomba", com potencial de gerar um significativo impacto nas finanças do governo federal.

Essa legislação específica autoriza a renegociação de débitos de produtores rurais que foram atingidos por eventos climáticos adversos e cenários geopolíticos complexos, como o conflito no Irã.

Estima-se que o custo dessa aprovação para os cofres públicos possa alcançar a cifra de R$ 140 bilhões ao longo de uma década.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil